janeiro 27, 2011

Estruturas e mulheres

Ontem vendo um programa documentário sobre Carolina Herrera observei algo meio na lateral: as modelos dos anos 1980 mais velhas, lindas também, tentavam enquadrá-las naquelas ombreiras enormes (e feias demais e dispensáveis), as chamadas roupas estruturadas, no entanto elas desfilavam como se flutuassem na passarela ou dançassem levemente - plumas ou aves sensuais.
As modelos contemporâneas, com roupas que não escondem suas formas e seu corpo, no entanto marchavam como quase como militares, tão magras e tão pesadas, com raríssimas exceções (haviam as que também flutuavam), estas se parecem duras ou molas porque quicam em suas roupas femininas, as vezes vaporosas, roupas que para serem desejáveis prescindem das modelos.
Há muita coisa entre as modelos dos anos 80 e as de agoras, dizem mesmo que uma nova mulher (?) e uma nova modelo,,,

janeiro 06, 2011

Art Eggcident

Quem fez foi o artista holandês Henk Hofstra o lugar é Leeuwarden no norte da Holanda chama-se “Art Eggcident“: são 8 ovos gigantes de cerca de 30 metros de diâmetro. Vi no Follow the colours, ver link. Me identifiquei um pouco.

janeiro 01, 2011

Mayra Andrade e Mariana Aydar cantam "A Outra" de Los Hermanos (Marcelo ...

Ainda sobre a guerra

Diz Pedro Nava que a experiência de casa com mãe e tios o fez crer que o mundo era bom. Mas qual nada, as suas próprias custas, constatou que o mundo era mau, pior a vida é que era má:
“ Vim descobrir a minha própria custa, como estava muitamente enganado, isto é a vida é má, o semelhante pior (...) o homem domesticado é freqüente no imanir e voltar a sua bruteza habitual” Pedro Nava Beira-Mar.
Em working class hero de John Lenon (tradução), encontrei algo mais aproximado ao meu mundo. O mal começa em casa mesmo e na infância:
“Magoam você em casa e te batem na escola. Eles te odeiam se você é esperto, desprezam se é um idiota. Até que você esteja tão louco que não consiga seguir as regras deles”.

Em casa já havia o inferno, apanhava muito. Fora de casa e em casa, nas proximidades tanta insatisfação jogada aos olhos de alguém de 5  ou 8 anos. Também na rua nos batiam. Mas mesmo assim eu e meus irmãos permanecemos deslumbrados. O mundo era bom, as pessoas seriam boas até que provassem o contrário e nos causassem muita dor. Acordávamos e sorriamos ao novo dia, todo dia, dia após dia tudo continuava lindo. Estávamos destinados a fazer parte do grupo daqueles que nada deixariam de contribuição neste mundo como um operário ou ocioso qualquer, como previsto pelo nobre Adam Smith.
Então, fiz com meus irmãos a primeira guerra na rua para parar de apanhar – saímos vitoriosos. E uma segunda guerra fiz em casa, por minha conta e risco,  contra o despotismo patriarcal, virei trotskista, filha de pai simpatizante da ditadura militar. Embora nunca tenha sabido bem o que fosse trotskismo. Só sabia que era o mais radical entre os movimentos de esquerda contra a ditadura, dele fiz parte inteira. Fui expulsa de casa, tinha 18 anos -  me chamaram de volta. Neste caso, não houve vencedores, acho, no entanto que perdi uma gigantesca oportunidade para crescer de verdade.
Mesmo assim permaneci deslumbrada, acreditando na vida e num “mundo melhor”, geração coca-cola que sou.
As minhas próprias custas constatei, como Nava, finalmente, que o mundo era mau. Eu creio hoje, que os obstáculos, e o estado de exceção (Benjamin, Agamben) são o normal.
Houve o dia que doeu tanto, depois de tanta pancada, no sentido metafórico, que eu fiquei torta, travada do corpo. E pensei que a saída seria a guerra. Todos seriam rivais, adversários, inimigos ou aliados. Antes. tudo que eu queria era paz, harmonia, achei que teria isso por merecimento pois eu era boa, apenas boa, nem sempre justa, mas boa, então mereceria paz, sossego, harmonia. Então, constatei a guerra declarada de modo não explícito.
É guerra no amor, na escola, no trabalho, dentro de casa, na mesa do bar, na sala de aula, no corredor, na fila do supermercado, no mercado, dentro do ônibus. É guerra, e eu que nem sou de guerra, por incompetência (sempre desvio deste rumo). Minha saída talvez seja a logística: tudo que diz respeito a guerra mas ainda não é guerra. No entanto, resolvi enfrentar a guerra, aceitar a exceção como o normal, em péssima hora, já abatida por suas conseqüências.
Tem algo de bom nisso, já vem Poliana moça, que me entranhou, a guerra declarada é melhor do que o fingimento, a dissimulação, a desfaçatez e a hipocrisia. Pena que nesta guerra não haja regras como nos jogos e nas guerras campais. Mas, é a tal guerra afinal! Quem sabe tome gosto pelos embates, como meus ancestrais nativos do Brasil.

dezembro 30, 2010

Green Day - Working Class Hero

guerra é de quem de guerra for capaz



[...] Quando o intelectual ocidental parte para a ação, sua sereia, vai normalmente para a política, esse simulacro da ação, que substitui a verdadeira ação, que é a guerra, pelos vai-e-vens das conversações e negociações, próprias da classe dos negociantes. [LEMISNKI, Paulo. Anseios crípticos 2. Curitiba: Criar Edições, 2001. p. 29].

Guerra sou eu/ guerra é você / guerra é de quem de guerra for capaz / guerra é assunto importante demais para ser deixado na mão dos generais. (P. Leminski)

O fato é que eu nunca quis negociar, nem saberia. Desde gerações passadas sequer tivemos idéia do que seja a boa vida, condenados por boa vontade ao trabalho, com toda sua carga de "tormento, de agonia e de sofrimento". Como desejar algo desconhecido seja ócio seja negócio? Para estes é preciso ser talhado de berço. Fui talhada no berço para trabalhar, outro fato é que aquele que trabalha "não tem tempo para política" nem meios para os negócios.

Negocio, advém de “sem ócio”, ócio era algo sem recompensa, negócio então significava “não sem recompensa”. Depois como tudo em semântica, os significados modificaram-se e negociar se tornou lidar com negócios; transacionar comercialmente; permutar ou vender por contrato, agenciar, diligenciar, pactuar; firmar e/ou celebrar (acordo, ajuste, contrato). Estes últimos são mais próximos do sentido que Leminski atribui.

Com o texto sobre o escritor japonês Mishima, Leminski abala [para mim] a tese de Hannah Arendt. De acordo com Leminski “o espírito dos ocidentais pensa a matéria, o Fora. Num gesto muito mais genial, porque mais global, essencialmente radical, Mishima resolve o problema transformando seu espírito em matéria, matéria pensante, inteligente”. Referia-se ao fato dele além de escritor cultuar seu corpo mediante artes marciais, com toda carga de tradição e modo de vida relacionada à estas.

Para Hannah Arendt (em a Condição Humana) a “ação é a atividade que se exerce entre homens sem a mediação de coisas e da matéria”. Ação é condição de pluralidade. Hannah diz que “todos os aspectos da condição humana tem relação com a política”, a pluralidade é a condição de toda vida política. Ela diz que o povo mais político que conhece, os romanos têm como sinônimas as palavras viver e estar entre homens, morrer é deixar de estar entre homens. A ação é uma das atividades humanas juntamente com labor (reprodutiva) e trabalho (produtiva de mundos artificiais, manufaturados). A ação é a que cria condição para a “lembrança” e a “história” assim como pensar novos começos.

Gregos decidiam politicamente por meio do diálogo, pela persuasão não pela força ou coerção. Agostinho (cristianismo) por sua vez introduz a idéia de vida negotiosa ou actuosa, ou seja dedicada aos assuntos políticos ou públicos. Trabalho e labor permanecem atividades subalternas, enquanto que a vida contemplativa é considerada, ainda, o único modo de vida livre. (no cristianismo)

Contemplação é a cessação da ocupação e do desassossego, a cessação do movimento, a quietude. Todo movimento cessa, todo discurso e raciocínio cessa diante da verdade. Assim como “a guerra ocorre em benefício da paz” o pensamento culmina com a “quietude da contemplação”. Ela diz que a negociação advém com o homem faber, aquele que  se relaciona com outros trocando produtos. "Uma vez que ele produz no isolamento". A esfera pública deste homem é o mercado, onde cria o apetite pela barganha e pelo consumo. No mercado o homem faber deixa o isolamento. Uma "sociedade de operários" o valor dos homens é dado por sua função. Ela diz, ainda, que este fabrica no isolamento para o consumo privado. O valor deste produto é dado na esfera pública.
Opinião, diametralmente oposta a noção de que a troca é um dos principais meios da relação isolamento-individualização, já que ‘"torna supérfluo o gregarismo e o dissolve". (Marx apud Canevacci. p. 7). Eu mesma não acho que se produza algo sozinho, anos e anos de aperfeiçoamento de técnica, saberes estão inclusivos num processo produtivo.

Pode-se deduzir de Marx que a criação do homem vem do trabalho humano . Contudo aos operários, a sociedade dá o preço e o desprezo, o mesmo desprezo que é dado aos convivas ociosos "que nada deixam de si em troca pelo que consomem", Adam Smith citado por Arendt (p. 97). Ociosos e operários "são" isentos de  atividade política, segundo este racicínio (não é o meu, nem sei se é totalmente o da Hannah). No caso dos operários a insatisfação com a servilidade demonstra-se com a sabotagem, a procrastinação (mesmo), a greve. Trabalhar cansa! Mesmo operários relutam em cotejar trabalho e vida.



Não é toa que quando voltaram da primeira guerra os operários europeus se arrogaram  a "poder" como diz Argan em Arte Moderna: "A classe operária, consciente de ter contribuído e sofrido com o esforço bélico mais do que qualquer outra, vai adquirindo peso político decisivo. Além disto, a revolução bolchevique demonstrou que o proletariado pode conquistar e manter o poder. Nós já tivemos operários presidentes.
Gosto das coisas porque passaram por mãos e cérebros humanos, são encartes de conhecimento, de saber fazer, talvez os objetos hoje sejam constructos-experiência, reservatórios da experiência - já que a narrativa, diálogo, conversação estão em "crise". Concordo com Vicente Guallard quando diz que "os objetos pensam, reagem e atuam, além de suas qualidades materiais, os espaços e os lugares devem [responder] relacionar-se com eles. Os objetos pensam porque alguém pensou neles. Programou-os e lhes atribuiu qualidades para que se integrem em uma nova lógica do mundo em que tudo está conectado com tudo”. 

Ok, mas isso não confere ao operário nenhum dignidade a mais, o designer, o técnico, o gerente, o executivo adquirem este valor. E as conversações ficam para os filósofos e os sindicalistas (estes já no fim de carreira).

Leminski por meio de Mishima propõe algo diferente a guerra (negociar) é mais do que a política (persuasão, consenso). Guerra diz respeito a todos não é prerrogativa militar. O livro relatado por Leminski “Sol e Aço" de Mishima, se trava "a luta com as palavras. A luta com as armas. A luta consigo mesmo. A luta contra o destino." é a luta e o "Amor pelo sol.”

Voltando a mim mesma, o aprendizado da negociação é o que tenho  recusado, talvez seja hora de aprender viver entre os homens e mulheres não por um sentimento qualquer mas ocupar um lugar (diz Agamben que isso é um bem). Aceitar o que diz Zeca Baleiro “antes o atrito que o contrato”. Não devo estar cansada de guerra só de observá-la. Já é hora de voltar ao sol.

dezembro 29, 2010

Numa cena de “Comer, rezar e amar” um amigo diz a protagonista para ela deixar os pensamentos saírem para que o universo possa entrar. Aproximando isso ao meu mundo, bem que eu gostaria de achar um modo dos meus pensamentos saírem de mim: são demasiadas pendências. Porém não sei não se quero que o universo entre em mim. Deve demorar mais e doer mais para sair do que os pensamentos.

dezembro 21, 2010

"Nesta Era MídiaVil, minha IndignAção é igual, meu karatê é verbal...


Aos Amigos, Tudo! aos inimigos, o youtube!

A web gira e o wikileaks roda. De post em post o nauta acha o lost.

O preço da felicidade é a eterna militancia." In. wilson yoshio.blogspot

http://blogdosamuraiuchinanchu.blogspot.com/