março 07, 2013

à direita de novo

no canto à direita


Extraída do PG de Gabriel Ramos em andamento em 7/03/2013


Proverbios 30



Palavras de Agur, filho de Jaque, o masaíta, que proferiu este homem a Itiel, a Itiel e a Ucal:
Na verdade eu sou o mais bruto dos homens, nem mesmo tenho o conhecimento de homem.
Nem aprendi a sabedoria, nem tenho o conhecimento do santo.
Quem subiu ao céu e desceu? Quem encerrou os ventos nos seus punhos? Quem amarrou as águas numa roupa? Quem estabeleceu todas as extremidades da terra? Qual é o seu nome? E qual é o nome de seu filho, se é que o sabes?
Toda a Palavra de Deus é pura; escudo é para os que confiam nele.
Nada acrescentes às suas palavras, para que não te repreenda e sejas achado mentiroso.
Duas coisas te pedi; não mas negues, antes que morra:
Afasta de mim a vaidade e a palavra mentirosa; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; mantém-me do pão da minha porção de costume;
Para que, porventura, estando farto não te negue, e venha a dizer: Quem é o SENHOR? ou que, empobrecendo, não venha a furtar, e tome o nome de Deus em vão.
Não acuses o servo diante de seu senhor, para que não te amaldiçoe e tu fiques o culpado.
Há uma geração que amaldiçoa a seu pai, e que não bendiz a sua mãe.
Há uma geração que é pura aos seus próprios olhos, mas que nunca foi lavada da sua imundícia.
Há uma geração cujos olhos são altivos, e as suas pálpebras são sempre levantadas.
Há uma geração cujos dentes são espadas, e cujas queixadas são facas, para consumirem da terra os aflitos, e os necessitados dentre os homens.
A sanguessuga tem duas filhas: Dá e Dá. Estas três coisas nunca se fartam; e com a quarta, nunca dizem: Basta!
A sepultura; a madre estéril; a terra que não se farta de água; e o fogo; nunca dizem: Basta!
Os olhos que zombam do pai, ou desprezam a obediência à mãe, corvos do ribeiro os arrancarão e os filhotes da águia os comerão.
Estas três coisas me maravilham; e quatro há que não conheço:
O caminho da águia no ar; o caminho da cobra na penha; o caminho do navio no meio do mar; e o caminho do homem com uma virgem.
O caminho da mulher adúltera é assim: ela come, depois limpa a sua boca e diz: Não fiz nada de mal!
Por três coisas se alvoroça a terra; e por quatro que não pode suportar:
Pelo servo, quando reina; e pelo tolo, quando vive na fartura;
Pela mulher odiosa, quando é casada; e pela serva, quando fica herdeira da sua senhora.
Estas quatro coisas são das menores da terra, porém bem providas de sabedoria:
As formigas não são um povo forte; todavia no verão preparam a sua comida;
Os coelhos são um povo débil; e contudo, põem a sua casa na rocha;
Os gafanhotos não têm rei; e contudo todos saem, e em bandos se repartem;
A aranha se pendura com as mãos, e está nos palácios dos reis.
Estes três têm um bom andar, e quatro passeiam airosamente;
O leão, o mais forte entre os animais, que não foge de nada;
O galgo; o bode também; e o rei a quem não se pode resistir.
Se procedeste loucamente, exaltando-te, e se planejaste o mal, leva a mão à boca;
Porque o mexer do leite produz manteiga, o espremer do nariz produz sangue; assim o forçar da ira produz contenda.

Aula de 05/05/1994 – Produzir seu próprio inconsciente – I « Centro de Estudos Claudio Ulpiano

Aula de 05/05/1994 – Produzir seu próprio inconsciente – I « Centro de Estudos Claudio Ulpiano

Coolmeia: 3 Condições Necessárias para a Cooperação Humana

Coolmeia: 3 Condições Necessárias para a Cooperação Humana

fevereiro 10, 2013

GENGIBRE

(...) se sentindo cansado, rígido e dolorido?. Se você também faz parte do time dos que sentem dor crônica.? (...) sabe-se que pode ser totalmente insuportável às vezes.
O Dr. Al Sears avisa: Tomar analgésicos pode ser perigoso devido aos efeitos colaterais, que em alguns casos, podem até ser mortais.
Drogas como Motrin, Advil, Aleve, e outros AINEs (medicamentos anti-inflamatórios) têm sido associadas a danos nos rins, anemia, palpitações cardíacas e hemorragia gastrointestinal
Isso é realmente algo assustador!
Mas o Dr. Al Sears indica um analgésico que não tem efeitos colaterais.
(...). Pasme, mas esse analgésico se chama GENGIBRE. Isso mesmo! Gengibre. Durante séculos o Gengibre tem sido usado em toda a Ásia para tratar dores nas articulações, resfriados e até mesmo indigestão.

O Gengibre cru ou cozido pode ser um analgésico eficaz, mesmo para condições inflamatórias como a osteoartrite. Isso porque a inflamação é a causa raiz de todos os tipos de problemas como
artrite, dor nas costas, dores musculares, etc.
Ele contém 12 compostos diferentes que combate a inflamação.
Um desses compostos abaixa os receptores da dor e atua nas terminações nervosas. Juntos, eles trabalham quase o mesmo que as drogas anti-inflamatórias, tais como o ibuprofeno e a aspirina, mas sem os efeitos colaterais. Assim, se a sua intenção é eliminar esses analgésicos, passe a consumir o Gengibre. Segue algumas dicas para você ter uma boa dose diária de gengibre:
Ao fritar alguns alimentos junte o Gengibre e mexa bem: ele vai adicionar um sabor revigorante para qualquer prato de carne e vegetais. Complemento: A maioria das farmácias ou lojas de produtos naturais vendem gengibre em pó, em comprimidos ou cápsulas.

Procure por um extrato com gingerols 5%.
Use uma compressa de gengibre sobre zonas doloridas:
Isso vai estimular a circulação sanguínea e aliviar dores nas articulações.
Beber chá de gengibre: É barato. É muito fácil. O gosto é ótimo. E cura
Aqui está uma receita usada pelo Dr. Al Sears:
* Quatro copos de água;
* Um pedaço de aproximadamente 5 cm de Gengibre descascado e
cortado em fatias; * Limão e mel a gosto. Se preferir, use laranja
no lugar do limão. Fica ótimo!

Ferva a água numa panela com fogo alto.
Assim que começar a fervura adicione as fatias de Gengibre,
deixe em fogo baixo, cubra a panela
para que os vapores não saiam e deixe fervendo por aproximadamente 15 minutos.
O chá está pronto!
Basta coar, e adicionar o mel com o limão ou laranja.
Compartilhe Este Artigo

Conheça as top 10 músicas do capeta | Full Rock Inc.

Conheça as top 10 músicas do capeta | Full Rock Inc.

fevereiro 04, 2013

Willy Kessels


...

Top, view of a room at the Erste Internationale Dada Messe in Dr. Burchard’s Art Salon, Berlin, 1920; (abaixo esquerda), Johannes Baader’s Deutschlands Grosse und Untergang, 1920; direita, Raoul Hausmann’s Der Kunstkritiker, 1919):

Raoul Hausmann. Untitled. February 1931. Gelatin silver print, 13.6 x 11.2 cm. The Museum of Modern Art, New York. Thomas Walther Collection. Gift of Thomas Walther © 2012 Raoul Hausmann / Artists Rights Society (ARS), New York / ADAGP, Paris.


«a louca da casa»

 
 
 "Há coisas que escusávamos de saber, par exemple, que Malebranche chamou à imaginação «a louca da casa».
Que lhe tenha vindo a ser cortado rente, à medida que nos esquecemos dele.Não sei que louca lambuzou a orelha do Kafka quando ele escreveu: «(em alemão) o nível médio da linguagem não é senão cinza», mas eu quero essa louca para mim."""
Antonio Cabrita. lisboa/ maputo

janeiro 29, 2013

Bath of Consolation

he Bath of Consolation No. 6 serigraphy         30 x 22.5"          22/25  

Song Yong Hong


todos bem



Amo de cabelo colorido, descolorido, natural, preso, murcho ou revolto, armado, brilhoso ou opaco;
Perfume francês, cheiro de transcol, de ciclista que atravessou a ponte a vapor de maconha;
Salto alto, tênis novo ou doado; Chinelo de dedo ou pé descalço;
Pele lisinha ou marcada de catapora; Cheinho, tortinho ou modelo.
Amo os que fazem pergunta difícil, os que fazem pergunta fácil, amo os fazem perguntas; tem aquela combinação entre os outros de não fazer pergunta, eu sei.
Não, não gosto dos preguiçosos, mas não sei quais são;
Os que estranham, os que se espantam e também os blasé, os que parecem de olhos abertos, mas só olham para o umbigo, amo também;
Amo, adoro os que querem mudar o mundo, os que têm opinião sobre tudo e pensam que estão certos;
Amo os tomam iniciativa, mas também os tímidos, os perdidos, os que não sabem o que querem, os que matam aula, os que vem à aula antes do feriado;
Não amo muito quando trabalham pouco e reclamam da nota;
Amo os que param no meio do caminho e os que seguem desembestados; os lentos também;
Amo a sua alegria e quando ficam deprimidos me preocupo; quando ficam doentes, quando choram no corredor me preocupo;
Amo os que picham, os que fazem stencil, os que colam lambe-lambe, em vez de fazer uma manifesto um pixo; em vez do diálogo uma enquete de opinião, a gente ouve do mesmo jeito.
Admiro mesmo aquele olhar que olha através, que põe a alma nua e requer sinceridade.
Adoraria que ficassem jovens pra sempre e que adquirissem sabedoria cedo;
Amei chegar segunda à faculdade e ver todos bem!!!

novembro 14, 2012

não se apresse não

Se você não se atrasar demais, posso te esperar por toda a minha vida Oscar Wilde
 
Study Sketch for Morning Sun — Edward Hopper
 

outubro 29, 2012

Fiz uma censura aqui hoje, ninguém precisa ler coisas da professora tarja preta, que não toma remédios, mas...

setembro 05, 2012

me sinto um termostato quebrado

Hoje entre prateleiras de supermecado, na seção de perfumaria, passei por um modelador de cachos, eu quis. Mas deixei pra lá. Pra que cachos, me perguntei?
Mas fiquei contente que em outro produto mais essencial veio um pente rosa choque de brinde.
Também adorei achar tomilho e pimenta biquinho pra trazer pra casa. Não comprei nada que não fosse essencial.
Agora mesmo já fez calor e depois fez frio, minha orelhas queimam.

Termostato: Fís Dispositivo automático destinado a manter a temperatura de um corpo ou de um ambiente.

março 03, 2012

Teló, telos, nada dura

Sobre a polêmica do sucesso do Teló (telos? ironia). "Nada dura" já dizia o falecido Philllip Johnson, que em vida foi seguidor de Mies, um eterno moderno, (com seu parodiado "menos é mais") e depois aderiu ao posmodernismo (pastiche) aquela "marolinha" estilística dos anos 80.
Depois de quase 50 anos de vida, ando invertendo um velho ditado "a vida é longa e a arte é breve", não que se esteja fal...ando de arte no caso do Teló, mas já vi/ouvi sucessos grudentos que se foram pra sempre (alívio). Vi auge e queda do socialismo real; auges e quedas formidáveis do capitalismo (que podia cair de vez desta vez). Vi abstração e figurativismo trocarem de lugar no gosto da crítica mais de uma vez. Vi a arte e a história morrerem várias vezes. Já vi o moderno, mesmo odiado, dominar o mundo por alguns anos e ser acusado até hoje de todos os males das cidades. Já vi o pós modernismo durar menos de uma década e não servir pra na nada. Aprendi que não se pode contar vantagem de performances, desempenhos sexuais, físicos, políticos nem do sucesso de mercado, é tudo névoa. Não se pode muito menos ficar se achando em relação às nossas ações na vida (sempre se pode pisar na bola e errar irremediavelmente). No fim, talvez a vida e arte valham a pena exatamente por que não duram para sempre. Nem os imortais nem as montanhas duram a eternidade.
EXCETO O ROCK AND ROLL

fevereiro 18, 2012

What Occupy Wall Street Can Learn from Occupy Tel Aviv | Global Spin | TIME.com

What Occupy Wall Street Can Learn from Occupy Tel Aviv | Global Spin | TIME.com
Tranquilidade e diversão são incompatíveis? pergunta que me fiz, morrendo de tédio no sábado de carnaval, parece que sim da tranquilidade vem o tédio.
A noitinha mesmo problemas de outros são colocados aos meus ouvidos.

Refugiada nas grimpas, mas problemas sobem escadas, Eles vêm ... sem se procure por eles.
Coisas tristes acontecem, coisas em geral acontecem... acontecimentos, devires, desencontros mais do que encontros, partidas precoces - é preciso perder todos os vínculos para partir sem se despedir me disse alguém.
Vínculos, sonhos, projetos, esperanças, decepções, cair na real, qual a palavra em português para essas expressões? em outras línguas, certamente a lingua alemã tem uma palavra pra isso.

Um cristão, acho que é uma fala cristã(blog Metanoia) , diz que metanóia é a palavra que resume essa "grande compreensão" no sentido de cair em si, cair na real. Converter, arrepender...

Perceber, distinguir, constatar, discenir todas palavras imperfeitas para traduzir a angústia, o tanto que se abre mão para aceitar a nova constatação...os equivocos anteriores, o deslumbre interrompido, desmentido, desmascarado.


Se as coisas não acontecem como programadas, pra que fazer planos?

Continuo confiando em fazer planos, é uma forma boa de passar ou perder tempo, mas não depoisito nehuma fé nos planos.
Enfim foi um carnaval parado e com um baque forte.


Bem vindos ao presente, mas fujam sempre que possível! André Lemos

Paul Klee

fevereiro 03, 2012

You Know I´m no good

Meu pai morreu no dia 26 de setembro de 2011. Foi um dia esquisito, faltou luz, raios e trovões sem chuva, equipamentos não fucnionavam (lá no hospital), a máquina do banco ficou com 100 reais meus. Meu raciocínio, minha intuição falharam feio. Chegaram tarde demais... Nem cheguei ao hospital.
Primeiro fiquei revoltada com destino porque ele morreu cedo demais, ele anunciava e eu não acreditava, ele sabia. Depois fiquei e continuo furiosa com os médicos, e finalmente, comigo mesma. Porque estive tão distante naqueles dias? qual a causa daquele sono, daquela canseira?
Continuo revoltada comigo mesma, conclui que nos últimos tempos vinha sendo uma filha ruim - conclusão de ano novo: I´m no good
Pelo menos meus sentidos continuam me enganando...

""Os teus ouvidos estão enganados.
E os teus olhos.
E as tuas mãos.
E a tua boca anda mentindo
Enganada pelos teus sentidos.
Faze silêncio no teu corpo.
E escuta-te.
Há uma verdade silenciosa dentro de ti.
A verdade sem palavras.
Que procuras inutilmente,
Há tanto tempo,
Pelo teu corpo, que enlouqueceu."" Cecilia Meireles

janeiro 05, 2012

Por que (re)ver Dersu Uzala

Por que (re)ver Dersu Uzala

Por Arlindenor Pedro*

Assistir Dersu Uzala é um exercício de reflexão sobre o instinto de sobrevivência natural do ser humano, na verdadeira acepção da palavra. Creio ser esta a obra mais eloqüente que o cineasta japonês Akira Kurosawa produziu a respeito do tema. De forma sutil, ele nos faz pensar em nossos limites, propondo situações em que a natureza nos põe à prova, testando nossa habilidade de sobrevivência em um mundo diferente do nosso, onde pouco importa o que aprendemos anteriormente. Em tais condições, seguir os ensinamentos de quem já tem a experiência da adaptação ao ambiente que nos é inóspito torna-se primordial. Ao superarem obstáculos em conjunto, os personagens constroem uma relação de mútuo respeito, em que conhecimento é transmitido de forma natural.

Muito bem elaborado, o roteiro baseia-se no diário de viagem do explorador e topógrafo do exército tzarista russo Vladimir Arsemiv. Kurosawa e seu roteirista, o soviético Yuri Nagibin, nos colocam frente à oposição de dois mundos. Um é o do capitão Vladmir Arseniev, homem culto e civilizador, detentor do conhecimento do mundo moderno, onde prevalece a razão – em última instância, o conhecimento explicito. Outro, o do mongol Dersu Uzala, um caçador das estepes siberianas, que detém o conhecimento da vida na natureza, empregando-o não para subjugá-la, mas para sobreviver junto a ela, numa harmonia própria do homem natural. A história desenrola-se numa situação em que a natureza se impõe, de forma que o mais simples prevalece perante o mais complexo – pois suas soluções, baseadas na criatividade (em última instância, o que chamamos de conhecimento tácito) são as mais viáveis para o momento.

Gosto muito de todos os filmes de Kurosawa, nas suas diferentes fases. Suas obras transcenderam a cultura do Japão, permitindo compreender aspectos relevantes da natureza humana. Sua vastíssima produção intelectual inclui filmes que atravessaram inúmeros momentos da história japonesa e revela o sedimento de pensadores e literatos universais, como Dostoievski e Shakespeare. Suas histórias têm um profundo sentido humanista. Por tudo isso, ele – e sua estética muito peculiar – criaram uma legião de seguidores, que o elegeram como um dos maiores cineastas de todos os tempos. Este trabalho foi aclamado em festivais de cinema tais como Moscou, Berlim, Cannes, Veneza, e deram ao autor, em 1989, o Oscar de melhor obra cinematográfica.

Akira Kurosawa popularizou os filmes de samurai na difícil conjuntura do pós-II Guerra. Derrotado e sob ocupação norte-americana, o Japão censurava filmes de orientação marxista, ou enredos baseados em histórias da tradição milenar japonesa, e artes marciais. Os filmes de produção nipônica estavam reduzidos a 25% do mercado.

Sua obra mais conhecida, sobre esse tema, foi Os 7 samurais, de 1954, hoje considerado como um dos melhores filmes japoneses de todos os tempos. Seu roteiro foi adaptado para diversos filmes feitos posteriormente – notadamente, de faroeste. A história nos remete aos conceitos de honra e sentimento de justiça, tema recorrente na obra do diretor. Talvez pelo fato de ter se dedicado à pintura na sua juventude, Kurosawa realizou filmes de beleza e estética inesquecíveis , como se fossem quadros vivos. Sonhos, de 1990, marca o ápice da sua genialidade na comunicação de elementos subjetivos para a tela de cinema.

Dersu Uzala é um filme do renascimento de Kurosawa, após uma tentativa de suicídio, em 1971. Frustrado com seus filmes anteriores, talvez influenciado pela morte do seu irmão, Heigo – que disparou contra o próprio peito após forte processo de depressão, aos 22 anos – o cineasta cortou-se diversas vezes na garganta e pulsos, passando por um difícil período de recuperação. Sobreviveu e aceitou convite do mais importante estúdio da União Soviética (o Mosfilm) para filmar a história do encontro entre o capitão Arseniev e Dersu Uzala. A obra foi realizada em situações dificílimas, em sets de filmagens no interior da Sibéria, onde foi decisiva a infra-estrutura colocada à sua disposição pelo governo soviético. Estava concluída em agosto de 1975.

Numa das cenas marcante do filme, o mongol e o russo perdem-se em um lago congelado, e, de súbito, uma nevasca os atinge. Com a noite chegando, no frio siberiano (que pode atingir até 60ºC negativos), o russo deixa-se abater e se entrega à morte – para ele, certa. Dersu, obstinado, coloca em prática o seu espírito criativo. Convence Arseniev a recolher arbustos na estepe que circunda o lago. O capitão aquiesce. Cambaleante, e mesmo sem entender direito o significado do ato, faz o que Dersu lhe pede, até o esgotamento. Imagina que o companheiro terá uma solução para aquela situação desesperadora. Dersu, então, continua recolhendo a vegetação rala, que mais tarde se transformará numa pequena cabana, cavada na terra. Uma situação em que prevalece a criatividade e o espírito improvisador de um homem acostumado a viver na natureza selvagem.

Durante o desenrolar da história vamos nos apaixonando pelo pequeno mongol, que aos poucos mostra como é realmente. Aparece um homem simples, que vive livre na natureza, com pleno conhecimento do ambiente que o cerca. Mas, ao mesmo tempo, um ser temeroso das forças naturais, que não as compreende plenamente. Trata-se, na forma descritiva do diretor, do eterno embate entre o mito e a ciência, ou da razão esclarecida, já tão bem estudada pelos filósofos.

Dersu movimenta-se de acordo com suas tradições e o conhecimento adquirido em sua vivência diária. Arseniev orienta-se por seus livros e pelo que lhe foi transmitido nos bancos escolares e no exército. Dersu respeita o conhecimento do seu amigo, e o capitão se surpreende ao ver naquele homem atributos de alto valor de dignidade, honradez, solidariedade, coragem e determinação, aliados a sua extrema simplicidade. São qualidades cada vez mais esquecidas no mundo civilizado.

Opera-se então um equilíbrio entre os dois mundos e se abre, numa perspectiva russeauniana, a tensão entre o “homem natural” e a “civilização”. Desenvolvido por Jean-Jacques Rousseau, em especial no seu Discurso sobre a Origem e Fundamentos da Desigualdade Entre Homens, mas presente também nas investigações de filósofos pós-modernos, o tema é de enorme atualidade. Contribui com a reflexão dos que procuram libertar o homem contemporâneo das cadeias impostas pelo reino da mercadoria — onde prevalece o desequilíbrio imposto por uma forma de ser se choca com nossa condição de ser integrado na natureza.

No filme, após algum tempo juntos, os dois companheiros separam-se. Dersu empreende uma viagem sozinho através das estepes. O russo retorna à civilização com o fruto de suas pesquisas topográficas. Eles irão se encontrar novamente, mas em uma nova situação.

Nela, o mongol curvara-se ao tempo e à idade. Já não possui a destreza e a visão para o tiro – atributos imprescindíveis para um caçador. Seu amigo oferece-lhe, então, a própria casa, e propõe levá-lo à cidade. O mongol aceita com relutância. Acontece o que era de esperar.

Dersu não se adapta à vida na cidade. Como um espírito livre como o dele pode viver tolhido pelos limites da lei e dos costumes? Não pode portar armas, nem atirar; não pode dormir em barraca; sua forma de ser e aparência agridem as pessoas. Vive triste, pois não encontra um lugar nessa sociedade: seus conhecimentos são inúteis na civilização. Toma então a decisão de retornar a Sibéria. Cumprir o seu ciclo: morrer em seu habitat!

O amigo compreende sua decisão. Na despedida, presenteia-o com um moderno rifle, de alta precisão, que não exige visão apurada. Com ele, Dersu poderá caçar novamente. Mas, por força da ironia, será esse o instrumento de sua morte, mais tarde.

O filme inicia e termina com a procura que o capitão empreende, para descobrir onde Dersu Uzala foi enterrado. Seu túmulo estava escondido, pois a floresta onde jazia seu corpo fora destruída para dar lugar a uma recente construção de casas. O mongol fora assassinado por um ladrão que cobiçava seu moderno rifle, presente do amigo.

Bela história, em filme incomum. Mas, também um tema para reflexão, em momentos de procura do novo homem que todos buscamos.

Serra da Mantiqueira, janeiro de 2012.

*Arlindenor Pedro é professor de História e especialista em Projetos Educacionais. Anistiado por sua oposição ao regime militar, atualmente é produtor de flores tropicais na região das Agulhas Negras.

janeiro 01, 2012

FILME MEDIANEIRAS: BUENOS AIRES NA ERA DO AMOR VIRTUAL



Arch Dauly recomenda o curta metragem,”Medianeiras – Buenos Aires na Era do Amor Virtual”, produzido na Argentina por Gustavo Taretto.Esse delicioso curta mostra de uma maneira poética, mas muito didática a importância da forma como uma cidade é construída e suas implicações na
vida dos seus habitantes, neste caso, especificamente, as medianeiras.

dezembro 16, 2011

Bruce Lee_Be Water My Friend


Esvazie sua mente, seja amorfo, como a água. Se você colocar água numa taça, ela vira a taça. Se você colocar água numa garrafa, ela vira a garrafa. Se você colocar água numa chaleira, ela vira a chaleira. A água pode fluir ou partir-se. Seja água, meu amigo.” Bruce Lee

novembro 07, 2011

Remember love

Remember love. Yoko Ono Plastic Band
Recorded on 1 June 1969, in Room 1742 at the Queen Elizabeth Hotel in Montreal, after the recording of 'Give Peace A Chance'.
Vocals: Yoko Ono
Guitar: John Lennon
The B-Side of the single 'Give Peace A Chance' by Plastic Ono Band.
Later released on the remastered CD of the John Lennon & Yoko Ono album 'Two Virgins'
Song Yong Hong. The Bath of Consolation No. 5
serigraphy
ver link
ver link 2
ver link 3

Katsushika Hokusai

Katsushika Hokusai 1760-1849. Destruction
Katsushika Hokusai. The Hero Asashina on the Island of Demons 1835-1836. ink on paper

Remedios Varo

Remedios Varo Uranga em 1908 e morreu em 1963 foi uma pintora surrealista. Catalã, Espanha, morrreu no México.  Remedios Varo, uma artista apaixonada pela ciência, mistura fórmulas matemáticas e complexos conceitos físicos, com um mundo mágico de fantasias e seres surrealistas, criados inteiramente na sua imaginação.
 

Celebração

tumblr_l5eh4fNMKI1qa4s0qo1_1280.jpg (imagem JPEG, 762×800 pixels)
Hiro Yamagata. Celebration 1983

or whatever

or whatever

junho 14, 2011

workaholic

Logo vão-se embora poemas, lirismo, coisas emo em geral, ouvir música, depois a vontade cozinhar. Antes de tudo isso o tempo pra se cuidar, pra visitar a vó, cuidar dos bichos e das plantas, não resta espaço na agenda para consultas médicas, para ir à análise,,,
por último a paciência para lidar com pessoas.