julho 03, 2010

Um Passo em Frente Dois Passos Atrás

"Um Passo em Frente Dois Passos Atrás" foi escrito por Vladimir Ilitch Lenine em 1904.
É minha vida.
Há um capítulo neste texto, chamado: "Pequenas Contrariedades Não Devem Prejudicar um Grande Prazer". Ham. O que?
"(...) O Que não se deve fazer é que, em política, não se deve ser rectilíneo, inoportunamente áspero e inoportunamente intransigente,(...)".
"(...) "um dirigente do proletariado não tem o direito de ceder às suas inclinações combativas quando estas são contrárias aos cálculos políticos", (...)".
Uhhh!!!! pense sobre isso. Tenho que fazer planos, projetos pessoais,,, to estudando Lenin (estratégia)."É a minha vez de falar. "...
Meus lindos: chega de trair minha via como diz Maria Rita Kehl no seu livro "o tempo e o cão"
to em processo de construção deste texto!!!

junho 24, 2010

Camelo fêmea revoltado

Dizem que o camelo morde, dizem que ele fede, ele provavelmente empaca. Mas um camelo revoltado vc já viu? Nietzsche com certeza não viu mas previu.

"Vou dizer-vos as três metamorfoses do espírito: como o espírito se muda em camelo, e o camelo em leão, e o leão, finalmente, em criança.
Há muitas coisas que parecem pesadas ao espírito, ao espírito robusto e paciente, e todo imbuído de respeito; a sua força reclama fardos pesados, os mais pesados que existam no mundo.
'O que é que há de mais pesado para transportar?' — pergunta o espírito transformado em besta de carga, e ajoelha-se como o camelo que pede que o carreguem bem.
'Qual é a tarefa mais pesada, ó heróis' — pergunta o espírito transformado em besta de carga, a fim de a assumir, a fim de gozar com a minha força?"
(...)
"Mas o espírito transformado em besta de carga toma sobre si todos estes pesados fardos; semelhante ao camelo carregado que se apressa a ganhar o deserto, assim ele se apressa a ganhar o seu deserto."

Nietzsche "Assim falou Zaratustra".

junho 10, 2010

camelo desidratado

Meu princípio básico sempre foi crer que viria um dia, mas eu nem imaginei o que aconteceria neste dia (que bom que não perdi tempo com isso). Continuo com a doença do otimismo, é crônica agora e tem me cegado, e tem me tornado um camelo desidratado com dor nos quartos e nas salas.
Se eu tivesse o pessimismo teórico talvez tivesse estudado algo assim como fungos ou bactérias, ou o manuscrito de algum filósofo obscuro com entusiasmo, daria menos horas aula, teria menos livros na estante que não se envergariam com o tempo, me dando a despesa de ter que comprar novas.
Se eu fosse uma especialista eu seria feliz, pois, teria todos meus neurônios alinhados. E saberia qual pesquisa fazer no próximo semestre, que livro ler amanhã. Viveria na friagem do laboratório ou na sombra de um árvore não precisaria de filtro solar nem de óculos. Talvez não esquecesse de pintar os cabelos e teria mais amigos...otimismo prático é “fé na vida” ou no homem?.

maio 28, 2010

o tipo de aparição em que acredito

As lembranças que tenho do meu avô são afins a algumas cenas de filmes de Fellini. A mais linda se passa em Vale Encantado, no Município de Vila Velha- ES, quando este era realmente encantado.
Meu avô me levou em seu FNM ao lindo areal, extenso. Na minha lembrança o lugar é uma borda entre o areal e o inicio de um loteamento muito desabitado. As casas salpicadas, muito distantes entre si. Uma visão: numa rua inusitada no meio do areal, sem uma construção sequer, mais inusitada ainda, surge uma trupe de circo.
Um circo muito mambembe, um palhaço maltrapilho, um homem de perna de pau, mais uma ou duas pessoas vestidas com roupas de circo, acompanhadas por um caminhão muito antigo, um homem com megafone anunciava a redundante frase “hoje tem marmelada, tem sim senhor. hoje tem goiabada, tem sim senhor. E o palhaço o que é? É ladrão de mulher!!!!”.
Um filme de Fellini se aproxima e figurativiza o meu encantamento, meu deslumbramento, de menina de 7 ou 8 anos com aquela visão. O encontro daquela trupe com a imagem daquele areal branco neve, a areia que o vento levantava em grãos muito finos, superpondo a paisagem azul e rosa desse pontilhismo branco.O mesmo encantamento que causa uma cena de Julieta dos Espíritos. A cena da chegada da sua vizinha e convidados à praia. O comentário de Rafaello enuncia: “Isso sim que é uma aparição. É o tipo de aparição em que acredito ...”

Há uma música, que Cássia Eller canta, que me reevoca esse dia em Vale Encantado, a música “Maluca”:
“(...) Foi minha irmã quem me chamou pra ver. Era um caminhão, era um caminhão Carregado de botão de rosas. Eu fiquei maluca. Por flor tenho loucura, eu fiquei maluca. Saí . Quando voltei molhada Com mais de dúzias de botão (...)”.

Meu avô me proporcionou isso... as melhores lembranças que tenho da minha infância.

fevereiro 18, 2010

A minha Lília Brick

porque eu te olhava e você era o meu cinema, a minha Scarlet O'Hara, a minha Excalibur, a minha Salambô, a minha Nastassia Filípovna, a minha Brigite Bardot, o meu Tadzio, a minha Anne, a minha lou Salomé, a minha Lorraine, a minha Ceci, a minha Odete de Crécy, a minha Capitu, a minha Cabocla, a minha Pagu, a minha Barbarella, a minha Honey Moon, o meu amuleto de Ogum, a minha Honey Baby, a minha Rosemary, a minha Marlin Monroe, o meu Rodolfo Valentino, a minha Emanuelle, o meu Bambi, a minha Lília Brick, a minha Poliana, a minha Gilda, a minha Julieta, e eu dizia a você do meu amor e você ria, suspirava e ria. (Arnaldo Antunes,Psia)

fevereiro 07, 2010

A ex-punk e o pagodeiro

Ele a levou pra passear de moto e ela gostava de velocidade. Ele disse que gostava de mulheres mais velhas. Ela tinha a idade adequada. Ele disse que ela tinha o peso ideal, ela discordou. Por via das dúvidas apertou na dieta. Ela tem quatro gatos e avisou desde o primeiro dia. Ele entendeu que ela tinha quatro namorados e achou que ela era doida. Ela gosta de usar preto e é toda básica (exceto algumas florzinhas e acessórios), ele usa cordão de ouro (daqueles pesados) e muito perfume. Contudo ela gostou do cheiro dele. Ele acha horrível fumar maconha mas já chegou muito bêbado na casa dela. Ele ouve sertanejo, ouve duplas das quais ela nunca ouviu falar. Ela ouve bandas que ele vai detestar. Ela lê coisas que ele nem desconfia, ele faz estantes. Ela achava que iria ao samba com ele, porém tem sambado sozinha. Ele acha a comida dela sem sal. Ele foi vegetariano, agora come carne enquanto ela tenta ser vegetariana. Ele marca e não vem. Ela marca e sai de casa. Ele se declara apaixonado e ela vai a analista. Mais desencontros do que encontros. O telefone dele paraguaio-chinês tem dois chips, porém nunca funciona direito. Ela diz que não tem preconceitos, ele tem alguns com certeza. Para ele existem verdades, para ela é tudo interpretação. Ela chora em filmes tristes, ele chora em filmes tristes, mas nunca assistiram um filme juntos. Ele vive cantarolando pagodes tão baixinho que ela não consegue ouvir. Ele gosta de ir a casa dela a tarde, ela preferia que ele viesse no fim de semana. Ele diz que a vida dele é mais complicada do que a dela. É verdade que ela tem muitas tarefas, todas claras e muito bem agendadas. É verdade também que até as pessoas mais simples tem medo de afeto, deste que ela aprendeu com os seus quatro gatos. Ele quer compromisso, mas não conta nada da vida dele. Ela é um livro aberto sem capa. A ex-punk dedicou uma música ao pagodeiro*. Ele vai acabar dançando.

*“querendo te encontrar”. João Bosco e Vinicius, do DVD pirata que ele esqueceu na casa dela.

janeiro 22, 2010

Volúvel e fácil


Franz Kafka tem um conto que foi traduzido em Portugal por "A Recusa", traduziria como "A Rejeição". é assim, um rapaz mexe com uma garota: “Ei quer vir dar uma volta comigo?” e ela responde algo como: vc está muito distante do meu sonho. O rapaz retruca: pensando bem vc também não é meu tipo de mulher. Chegam a conclusão:
" Sim, ambos temos razão, e para que de tal não nos apercebamos de modo irrevogável, será melhor, não achas, que cada um vá sozinho para sua casa. "
Quando se faz ao contrário e se aceita o convite de alguém que vc não tinha reparado a noite inteira, por pura distração, diga-se de passagem. Mas que é uma pessoa de outro mundo, que fala outra língua e nenhuma pesquisa no google encontra, enfim,um cara do tempo da manufatura. No fim das contas, teria sido melhor ter ido pra casa por caminhos diferentes. Pois não se passa por esse tipo de experiência incólume não?.


"antes mais uma cerveja do que matar sua fome ,,, como diria o cantor de bolero" Fagner & Zeca Baleiro

janeiro 07, 2010

do diário dos quarenta

Não posso ouvir música que danço, nem ouvir música triste ou ver filme triste que choro. Não posso ver beleza que me arrepio. Mas até agora não me ajustei aos quarenta.

dezembro 31, 2009

Seria uma sereia ou seria Só

Eu sou uma sereia fora de forma, pois desde de Ulisses na Odisseia estou por aí. Enquanto Penépole tecia eu nadava. Isso faz tempo. E desde então como as baleias não achei meu lugar no mundo. Lulu Santos fez uma música para mim: "clara como a luz do sol, estrela do oriente nesses mares do sul"; os caras do clube da esquina tbm: "clara estrela". Grãozinho de areia que olhou pro céu viu uma estrela e sonhou coisas de amor, será este meu destino?

dezembro 19, 2009

o carro velho, a motorista que não sabia dirigir e a passageira que não conseguia desembarcar

Estou numa fase em que pratico da idéia que minha opinião não é tão importante assim, mas não me calo o suficiente. Ainda verto palavras desnecessárias. Falo, falo, faço discurso, julgo, absolvo, reclamo, emito indulgências, auto-indulgências, e falo e digo, critico, avalio, condeno e assim por diante. Algumas vezes faz diferença, poucas vezes. Ah, quando é a hora do silêncio?
Recuperei o apreço por Charles Bukowski e isso vai me custar 200 reais. Quase tudo me custa muito. Será que sou eu que transformo tudo neste tipo de valor para que eu pague o preço? Sei lá
Mas já sei o que significa aquele sonho do carro meio quebrado descendo a ladeira com uma motorista velha que não sabe dirigir direito e que não para quando eu solicito. O carro continua, não está desembestado, apenas não pára. Até que num ponto adiante vejo algumas alunas e peço de novo que pare. Como não fui atendida eu desço do carro em movimento. A motorista reclama, ei não vai pagar não?!!! Embora tenha o dinheiro para pagar 7 reais, não pago. Hum?!
A vida não para e no momento eu não dirijo. Sigo, alguém sempre me leva, porém nem sempre quero ir. Na verdade as vezes quero apenas ficar um pouco mais, contudo sou obrigada a seguir pois minha vontade não conta. Sigo sem querer e alguém ainda me cobra o preço, deve ser isso não?? Só que daquela vez eu não paguei, era um sonho.

novembro 17, 2009

O que diria a menina que eu fui, se me visse hoje?

O que diria a menina que eu fui, se me visse hoje?
Contando segredos a motoristas de taxi... Psicólogos, eu pago regiamente. Tendo como deus mais gentil um blog, e felinos de verdade como companheiros. Despreparada para o amor.
Já não choro por amor, choro quando um homem desvanece, choro em enterros de homens sólidos, daqueles cuja fundação era de pedra. Nosso tempo é aquele que devemos edificar na areia, acreditando ser pedra como diz Borges.
Estou, sempre que posso, tentando despertar a deusa que mora em mim. Mas fica cada vez mais caro o projeto bonita.
Espero ainda o tempo de chegar até mim mesma, mas estou sempre adiando, adiando este momento. Chegar até mim, é o que eu chamo de me tornar sábia. Ando traindo a minha via por nada, nadinha mesmo. Há tempos isso acontece.
Nunca fiz muitos planos, sempre segui um dia de cada vez. As coisas mudam. Tem uma estranha que me olha no espelho agora. Ela é toda diferente, não é mais deslumbrada, quase não sorri, chega a ser monótona. Eu a tolero desde que volte a dançar.
Quem disse que a mudança dói na adolescência, a gente muda o tempo todo, Platão. O devir é inevitável, podemos fingir que não vem. A cada dia, amadurecemos, oxidamos, entortamos, talhamos, etc. e um dia tudo acaba.
O que eu menina pensava sobre uma mulher como sou eu hoje?
A petulância dela me fez ser assim, quase impossível, “ferrada” e um sucesso ao mesmo tempo. Triste e sonhadora, carente e auto-suficiente “afetiva” (quem me dera, mas é algo assim), memoriosa e indiferente, quente e fria. Doce até não poder mais. Eu sei, saiba também, este dia sempre chega, o dia de não poder ser mais doce.
A curiosidade dela nunca morre. O sorriso está mais difícil do que nunca. A curiosidade dela me faz ir ao horizonte. Não, não busco a verdade nem a beleza, sempre busquei foi o encanto. Não temo o canto das sereias... A paixão pelo encanto foi o que a menina que eu fui me deu de presente.

outubro 22, 2009

O inferno tem muitas portas

To escrevendo sobre visões do inferno, só frases de memória:
“É preciso ser homem de bem mesmo no inferno”, “mesmo no inferno há ar para respirar” de Adorno.
“O inferno tem muitas portas algumas são bem conhecidas outras são mais disfarçadas, entenda-se com suas pernas" de Akira S,,,
Mas o que eu enfrento mesmo é o inferno aqui dentro, o tédio. Eu me faço perguntas. Se aquilo era o inferno, por que a falta, não pode ser falta.
Benjamin diz que no tédio se choca o ovo da experiência, e eu que nunca chego lá...todo dia refazendo e fazendo as mesmas coisas que consomem, meninos que se desarrumam, logo depois de vestidos e penteados, pensamentos que se desfazem no diálogo seguinte.
Falo em considerar todos os fatores na análise, mas não dá tempo, a pressa do dia a dia, não consigo ter respostas para as falas agressivas e reativas. Eu nunca fico pronta...
Aquela frase de que as pessoas do inferno são mais divertidas e o céu tem melhor temperatura. Fico pensando que lá no inferno estão as pessoas desagradáveis, cruéis, rancorosas, golpistas, super-vaidosas, super-sinceras e que todos são churrasquinho também. Num filme de Wood Allen o Diabo tem sala com ar condicionado, claro!!! Prefiro distância das pessoas do inferno por serem insuportáveis e das do céu por serem chatas. Será que haverá outro lugar pra ir?
Prefiro aqui como está e como estou...

setembro 24, 2009

Infâmias da solidão

Dentre as possibilidades dos sites de relacionamento está acompanhar a vida do ex, que seja ex (ex-alguma coisa ele é), como se fosse uma novela. Só que uma novela ruim e com final previsível.
A bisbilhotice (mesmo virtual) é nefasta, inútil, um desperdício mesmo. Um tédio comparsa da solidão! Infame solidão! Não que eu não tenha o que fazer. Mas a falta que faz esse assunto, que coisa. Não sou mais uma piscopata que persegue o amado. Fico a uma distância regulamentar. Mas o amor diz Bukowski é mesmo um "cão do inferno", mesmo quando morre continua rosnando. Bukoswki, as vezes consegue não ser interessante, mas seu bom senso me apazigua.

"A escrita - Charles Bukowski (O amor é um cão do inferno)
algumas vezes é a única coisa entre ti e a impossibilidade. nem a bebida, nem o amor de uma mulher,nem a saúde se comparam a ela. nada te pode salvar excepto a escrita. impede as paredes de ruir. o canalha de se aproximar. expulsa a escuridão.
a escrita é o derradeiro psiquiatra, o mais gentil deus de todos os deuses.
a escrita afasta a morte. nunca te abandona. e a escrita ri-se dela própria, da dor. é a última esperança, e a última explicação.
é isso que é."

agosto 30, 2009

Gatos atropelados

De vez em quando, penso que eu venha agradecer aos homens que passaram por mim atropelando, "me deixando de lado". Os tais que me trataram como um vento que passou (da música mulher sem razão): o que não me mata me deixa mais forte dizem por ai. Sei reconhecer um gato atropelado a distância e logo penso em levar para casa. Inútil, ele fica bom e foge. São quase três anos de solidão nos entremeios.
Reconheço tortos e aleijados de alma por que eu mesma convalesço disso. Meu couro está curtido, vejo tudo claramente, muito embora, tenho que admitir que seja a solidão que traga esta clareza. Quando aparecer alguém, irei continuar assim?
Meu couro está curtido, mas minhas pernas dobram-se ao peso da dor. Sinto que vou quebrar ao meio, ainda a mesma dor. De que adianta ver mais do que outros se minhas pernas não alcançam o horizonte? Se quando faz muito frio, eu tenha que conversar com felinos que nunca tomam banho?
Esses gatos me aquecem. Aprendi com eles o melhor modo de ficar junto, só que os companheiros humanos não perceberam. Nem todos estão preparados para o afeto, nem eu.

agosto 28, 2009

"Cuide de Você"

Me apaixonei pelo trabalho “prenez soin de vous” ou "Cuide de Você" de Sophie Calle, tem a ver com este blog desde setembro de 2008. As rupturas nos tornam clarividentes, pois, os campos se tornam mais verdes como disse Fernando Pessoa. Tudo se esclarece, fica "mais de verdade", fica mais nítido, cada contorno, cada fato e seus desdobramentos entram em análise. E nos cremos sapientes das causas, mesmo que não importem mais. Do modo como Sophie Calle fez ela não engoliu seco e ainda partilhou, socializou. E "ele" simplesmente virou "picadinho" no esquadrinhamento epistêmico, sentimental, disciplinar feminino, se acabou nos despachos, nos descarregos e nas catarses: ele que se achava tanto vai pensar duas vezes antes de "se achar" ... talvez ela também tenha dificuldade de namorar um outro igual a este...



""Esse trabalho inicia-se quando Sophie teve um relacionamento amoroso rompido por email, que terminava com a frase “prenez soin de vous” (cuide-se). Sem saber como responder a essa mensagem e a essa situação, ela resolveu seguir o conselho de uma amiga de fazer um trabalho de arte e utilizou para isso a própria mensagem. Gravou em vídeo mais de cem pessoas lendo o email e fazendo comentários. Entre as “leitoras” estão a mãe da artista, as atrizes Jeanne Moreau e Vitoria Abril, a compositora Laurie Anderson, a DJ Miss Kittin, entre outros.

Ela enviou o texto do email para um advogado forense, uma lingüista, uma taróloga, uma juíza especialista nos direitos femininos, entre outros, e pediu a todos que o texto fosse analisado segundo o filtro de cada especialidade. E esse material compõe a instalação.

Para Sophie, “é mais fácil realizar um projeto quando sofremos do que quando estamos felizes. Não sei o que prefiro: se é estar feliz com um homem ou fazer uma boa exposição”. Seus trabalhos são acompanhados da escrita, seja no título, na legenda ou em narrativas, e são parte integrante da obra. Como disse a crítica francesa Cécile Camart, “a dimensão narrativa de suas instalações, misturando fotografia, textos e objetos, encontra sua filiação histórica na primeira metade da década de 70, em que jovens artistas como Christian Boltanski (”Récit-Souvenir”, 1971), Didier Bay (”Mon Quartier Vu de Ma Fenêtre”, 1969-1973) e Jean Le Gac (”Anecdotes”, 1974) propuseram uma ‘arte narrativa’, uma arte das pessoas, das coisas e das situações, que abrange um vasto leque da vida cotidiana real ou imaginária”."
ver em um artigo publicado em Publicado em 13 de março de 2009:
http://anodafrancanobrasil.cultura.gov.br/br/2009/03/13/exposicao-prenez-soin-de-vous-de-sophie-calle/