janeiro 29, 2013

Bath of Consolation

he Bath of Consolation No. 6 serigraphy         30 x 22.5"          22/25  

Song Yong Hong


todos bem



Amo de cabelo colorido, descolorido, natural, preso, murcho ou revolto, armado, brilhoso ou opaco;
Perfume francês, cheiro de transcol, de ciclista que atravessou a ponte a vapor de maconha;
Salto alto, tênis novo ou doado; Chinelo de dedo ou pé descalço;
Pele lisinha ou marcada de catapora; Cheinho, tortinho ou modelo.
Amo os que fazem pergunta difícil, os que fazem pergunta fácil, amo os fazem perguntas; tem aquela combinação entre os outros de não fazer pergunta, eu sei.
Não, não gosto dos preguiçosos, mas não sei quais são;
Os que estranham, os que se espantam e também os blasé, os que parecem de olhos abertos, mas só olham para o umbigo, amo também;
Amo, adoro os que querem mudar o mundo, os que têm opinião sobre tudo e pensam que estão certos;
Amo os tomam iniciativa, mas também os tímidos, os perdidos, os que não sabem o que querem, os que matam aula, os que vem à aula antes do feriado;
Não amo muito quando trabalham pouco e reclamam da nota;
Amo os que param no meio do caminho e os que seguem desembestados; os lentos também;
Amo a sua alegria e quando ficam deprimidos me preocupo; quando ficam doentes, quando choram no corredor me preocupo;
Amo os que picham, os que fazem stencil, os que colam lambe-lambe, em vez de fazer uma manifesto um pixo; em vez do diálogo uma enquete de opinião, a gente ouve do mesmo jeito.
Admiro mesmo aquele olhar que olha através, que põe a alma nua e requer sinceridade.
Adoraria que ficassem jovens pra sempre e que adquirissem sabedoria cedo;
Amei chegar segunda à faculdade e ver todos bem!!!

novembro 14, 2012

não se apresse não

Se você não se atrasar demais, posso te esperar por toda a minha vida Oscar Wilde
 
Study Sketch for Morning Sun — Edward Hopper
 

outubro 29, 2012

Fiz uma censura aqui hoje, ninguém precisa ler coisas da professora tarja preta, que não toma remédios, mas...

setembro 05, 2012

me sinto um termostato quebrado

Hoje entre prateleiras de supermecado, na seção de perfumaria, passei por um modelador de cachos, eu quis. Mas deixei pra lá. Pra que cachos, me perguntei?
Mas fiquei contente que em outro produto mais essencial veio um pente rosa choque de brinde.
Também adorei achar tomilho e pimenta biquinho pra trazer pra casa. Não comprei nada que não fosse essencial.
Agora mesmo já fez calor e depois fez frio, minha orelhas queimam.

Termostato: Fís Dispositivo automático destinado a manter a temperatura de um corpo ou de um ambiente.

março 03, 2012

Teló, telos, nada dura

Sobre a polêmica do sucesso do Teló (telos? ironia). "Nada dura" já dizia o falecido Philllip Johnson, que em vida foi seguidor de Mies, um eterno moderno, (com seu parodiado "menos é mais") e depois aderiu ao posmodernismo (pastiche) aquela "marolinha" estilística dos anos 80.
Depois de quase 50 anos de vida, ando invertendo um velho ditado "a vida é longa e a arte é breve", não que se esteja fal...ando de arte no caso do Teló, mas já vi/ouvi sucessos grudentos que se foram pra sempre (alívio). Vi auge e queda do socialismo real; auges e quedas formidáveis do capitalismo (que podia cair de vez desta vez). Vi abstração e figurativismo trocarem de lugar no gosto da crítica mais de uma vez. Vi a arte e a história morrerem várias vezes. Já vi o moderno, mesmo odiado, dominar o mundo por alguns anos e ser acusado até hoje de todos os males das cidades. Já vi o pós modernismo durar menos de uma década e não servir pra na nada. Aprendi que não se pode contar vantagem de performances, desempenhos sexuais, físicos, políticos nem do sucesso de mercado, é tudo névoa. Não se pode muito menos ficar se achando em relação às nossas ações na vida (sempre se pode pisar na bola e errar irremediavelmente). No fim, talvez a vida e arte valham a pena exatamente por que não duram para sempre. Nem os imortais nem as montanhas duram a eternidade.
EXCETO O ROCK AND ROLL

fevereiro 18, 2012

What Occupy Wall Street Can Learn from Occupy Tel Aviv | Global Spin | TIME.com

What Occupy Wall Street Can Learn from Occupy Tel Aviv | Global Spin | TIME.com
Tranquilidade e diversão são incompatíveis? pergunta que me fiz, morrendo de tédio no sábado de carnaval, parece que sim da tranquilidade vem o tédio.
A noitinha mesmo problemas de outros são colocados aos meus ouvidos.

Refugiada nas grimpas, mas problemas sobem escadas, Eles vêm ... sem se procure por eles.
Coisas tristes acontecem, coisas em geral acontecem... acontecimentos, devires, desencontros mais do que encontros, partidas precoces - é preciso perder todos os vínculos para partir sem se despedir me disse alguém.
Vínculos, sonhos, projetos, esperanças, decepções, cair na real, qual a palavra em português para essas expressões? em outras línguas, certamente a lingua alemã tem uma palavra pra isso.

Um cristão, acho que é uma fala cristã(blog Metanoia) , diz que metanóia é a palavra que resume essa "grande compreensão" no sentido de cair em si, cair na real. Converter, arrepender...

Perceber, distinguir, constatar, discenir todas palavras imperfeitas para traduzir a angústia, o tanto que se abre mão para aceitar a nova constatação...os equivocos anteriores, o deslumbre interrompido, desmentido, desmascarado.


Se as coisas não acontecem como programadas, pra que fazer planos?

Continuo confiando em fazer planos, é uma forma boa de passar ou perder tempo, mas não depoisito nehuma fé nos planos.
Enfim foi um carnaval parado e com um baque forte.


Bem vindos ao presente, mas fujam sempre que possível! André Lemos

Paul Klee

fevereiro 03, 2012

You Know I´m no good

Meu pai morreu no dia 26 de setembro de 2011. Foi um dia esquisito, faltou luz, raios e trovões sem chuva, equipamentos não fucnionavam (lá no hospital), a máquina do banco ficou com 100 reais meus. Meu raciocínio, minha intuição falharam feio. Chegaram tarde demais... Nem cheguei ao hospital.
Primeiro fiquei revoltada com destino porque ele morreu cedo demais, ele anunciava e eu não acreditava, ele sabia. Depois fiquei e continuo furiosa com os médicos, e finalmente, comigo mesma. Porque estive tão distante naqueles dias? qual a causa daquele sono, daquela canseira?
Continuo revoltada comigo mesma, conclui que nos últimos tempos vinha sendo uma filha ruim - conclusão de ano novo: I´m no good
Pelo menos meus sentidos continuam me enganando...

""Os teus ouvidos estão enganados.
E os teus olhos.
E as tuas mãos.
E a tua boca anda mentindo
Enganada pelos teus sentidos.
Faze silêncio no teu corpo.
E escuta-te.
Há uma verdade silenciosa dentro de ti.
A verdade sem palavras.
Que procuras inutilmente,
Há tanto tempo,
Pelo teu corpo, que enlouqueceu."" Cecilia Meireles

janeiro 05, 2012

Por que (re)ver Dersu Uzala

Por que (re)ver Dersu Uzala

Por Arlindenor Pedro*

Assistir Dersu Uzala é um exercício de reflexão sobre o instinto de sobrevivência natural do ser humano, na verdadeira acepção da palavra. Creio ser esta a obra mais eloqüente que o cineasta japonês Akira Kurosawa produziu a respeito do tema. De forma sutil, ele nos faz pensar em nossos limites, propondo situações em que a natureza nos põe à prova, testando nossa habilidade de sobrevivência em um mundo diferente do nosso, onde pouco importa o que aprendemos anteriormente. Em tais condições, seguir os ensinamentos de quem já tem a experiência da adaptação ao ambiente que nos é inóspito torna-se primordial. Ao superarem obstáculos em conjunto, os personagens constroem uma relação de mútuo respeito, em que conhecimento é transmitido de forma natural.

Muito bem elaborado, o roteiro baseia-se no diário de viagem do explorador e topógrafo do exército tzarista russo Vladimir Arsemiv. Kurosawa e seu roteirista, o soviético Yuri Nagibin, nos colocam frente à oposição de dois mundos. Um é o do capitão Vladmir Arseniev, homem culto e civilizador, detentor do conhecimento do mundo moderno, onde prevalece a razão – em última instância, o conhecimento explicito. Outro, o do mongol Dersu Uzala, um caçador das estepes siberianas, que detém o conhecimento da vida na natureza, empregando-o não para subjugá-la, mas para sobreviver junto a ela, numa harmonia própria do homem natural. A história desenrola-se numa situação em que a natureza se impõe, de forma que o mais simples prevalece perante o mais complexo – pois suas soluções, baseadas na criatividade (em última instância, o que chamamos de conhecimento tácito) são as mais viáveis para o momento.

Gosto muito de todos os filmes de Kurosawa, nas suas diferentes fases. Suas obras transcenderam a cultura do Japão, permitindo compreender aspectos relevantes da natureza humana. Sua vastíssima produção intelectual inclui filmes que atravessaram inúmeros momentos da história japonesa e revela o sedimento de pensadores e literatos universais, como Dostoievski e Shakespeare. Suas histórias têm um profundo sentido humanista. Por tudo isso, ele – e sua estética muito peculiar – criaram uma legião de seguidores, que o elegeram como um dos maiores cineastas de todos os tempos. Este trabalho foi aclamado em festivais de cinema tais como Moscou, Berlim, Cannes, Veneza, e deram ao autor, em 1989, o Oscar de melhor obra cinematográfica.

Akira Kurosawa popularizou os filmes de samurai na difícil conjuntura do pós-II Guerra. Derrotado e sob ocupação norte-americana, o Japão censurava filmes de orientação marxista, ou enredos baseados em histórias da tradição milenar japonesa, e artes marciais. Os filmes de produção nipônica estavam reduzidos a 25% do mercado.

Sua obra mais conhecida, sobre esse tema, foi Os 7 samurais, de 1954, hoje considerado como um dos melhores filmes japoneses de todos os tempos. Seu roteiro foi adaptado para diversos filmes feitos posteriormente – notadamente, de faroeste. A história nos remete aos conceitos de honra e sentimento de justiça, tema recorrente na obra do diretor. Talvez pelo fato de ter se dedicado à pintura na sua juventude, Kurosawa realizou filmes de beleza e estética inesquecíveis , como se fossem quadros vivos. Sonhos, de 1990, marca o ápice da sua genialidade na comunicação de elementos subjetivos para a tela de cinema.

Dersu Uzala é um filme do renascimento de Kurosawa, após uma tentativa de suicídio, em 1971. Frustrado com seus filmes anteriores, talvez influenciado pela morte do seu irmão, Heigo – que disparou contra o próprio peito após forte processo de depressão, aos 22 anos – o cineasta cortou-se diversas vezes na garganta e pulsos, passando por um difícil período de recuperação. Sobreviveu e aceitou convite do mais importante estúdio da União Soviética (o Mosfilm) para filmar a história do encontro entre o capitão Arseniev e Dersu Uzala. A obra foi realizada em situações dificílimas, em sets de filmagens no interior da Sibéria, onde foi decisiva a infra-estrutura colocada à sua disposição pelo governo soviético. Estava concluída em agosto de 1975.

Numa das cenas marcante do filme, o mongol e o russo perdem-se em um lago congelado, e, de súbito, uma nevasca os atinge. Com a noite chegando, no frio siberiano (que pode atingir até 60ºC negativos), o russo deixa-se abater e se entrega à morte – para ele, certa. Dersu, obstinado, coloca em prática o seu espírito criativo. Convence Arseniev a recolher arbustos na estepe que circunda o lago. O capitão aquiesce. Cambaleante, e mesmo sem entender direito o significado do ato, faz o que Dersu lhe pede, até o esgotamento. Imagina que o companheiro terá uma solução para aquela situação desesperadora. Dersu, então, continua recolhendo a vegetação rala, que mais tarde se transformará numa pequena cabana, cavada na terra. Uma situação em que prevalece a criatividade e o espírito improvisador de um homem acostumado a viver na natureza selvagem.

Durante o desenrolar da história vamos nos apaixonando pelo pequeno mongol, que aos poucos mostra como é realmente. Aparece um homem simples, que vive livre na natureza, com pleno conhecimento do ambiente que o cerca. Mas, ao mesmo tempo, um ser temeroso das forças naturais, que não as compreende plenamente. Trata-se, na forma descritiva do diretor, do eterno embate entre o mito e a ciência, ou da razão esclarecida, já tão bem estudada pelos filósofos.

Dersu movimenta-se de acordo com suas tradições e o conhecimento adquirido em sua vivência diária. Arseniev orienta-se por seus livros e pelo que lhe foi transmitido nos bancos escolares e no exército. Dersu respeita o conhecimento do seu amigo, e o capitão se surpreende ao ver naquele homem atributos de alto valor de dignidade, honradez, solidariedade, coragem e determinação, aliados a sua extrema simplicidade. São qualidades cada vez mais esquecidas no mundo civilizado.

Opera-se então um equilíbrio entre os dois mundos e se abre, numa perspectiva russeauniana, a tensão entre o “homem natural” e a “civilização”. Desenvolvido por Jean-Jacques Rousseau, em especial no seu Discurso sobre a Origem e Fundamentos da Desigualdade Entre Homens, mas presente também nas investigações de filósofos pós-modernos, o tema é de enorme atualidade. Contribui com a reflexão dos que procuram libertar o homem contemporâneo das cadeias impostas pelo reino da mercadoria — onde prevalece o desequilíbrio imposto por uma forma de ser se choca com nossa condição de ser integrado na natureza.

No filme, após algum tempo juntos, os dois companheiros separam-se. Dersu empreende uma viagem sozinho através das estepes. O russo retorna à civilização com o fruto de suas pesquisas topográficas. Eles irão se encontrar novamente, mas em uma nova situação.

Nela, o mongol curvara-se ao tempo e à idade. Já não possui a destreza e a visão para o tiro – atributos imprescindíveis para um caçador. Seu amigo oferece-lhe, então, a própria casa, e propõe levá-lo à cidade. O mongol aceita com relutância. Acontece o que era de esperar.

Dersu não se adapta à vida na cidade. Como um espírito livre como o dele pode viver tolhido pelos limites da lei e dos costumes? Não pode portar armas, nem atirar; não pode dormir em barraca; sua forma de ser e aparência agridem as pessoas. Vive triste, pois não encontra um lugar nessa sociedade: seus conhecimentos são inúteis na civilização. Toma então a decisão de retornar a Sibéria. Cumprir o seu ciclo: morrer em seu habitat!

O amigo compreende sua decisão. Na despedida, presenteia-o com um moderno rifle, de alta precisão, que não exige visão apurada. Com ele, Dersu poderá caçar novamente. Mas, por força da ironia, será esse o instrumento de sua morte, mais tarde.

O filme inicia e termina com a procura que o capitão empreende, para descobrir onde Dersu Uzala foi enterrado. Seu túmulo estava escondido, pois a floresta onde jazia seu corpo fora destruída para dar lugar a uma recente construção de casas. O mongol fora assassinado por um ladrão que cobiçava seu moderno rifle, presente do amigo.

Bela história, em filme incomum. Mas, também um tema para reflexão, em momentos de procura do novo homem que todos buscamos.

Serra da Mantiqueira, janeiro de 2012.

*Arlindenor Pedro é professor de História e especialista em Projetos Educacionais. Anistiado por sua oposição ao regime militar, atualmente é produtor de flores tropicais na região das Agulhas Negras.

janeiro 01, 2012

FILME MEDIANEIRAS: BUENOS AIRES NA ERA DO AMOR VIRTUAL



Arch Dauly recomenda o curta metragem,”Medianeiras – Buenos Aires na Era do Amor Virtual”, produzido na Argentina por Gustavo Taretto.Esse delicioso curta mostra de uma maneira poética, mas muito didática a importância da forma como uma cidade é construída e suas implicações na
vida dos seus habitantes, neste caso, especificamente, as medianeiras.

dezembro 16, 2011

Bruce Lee_Be Water My Friend


Esvazie sua mente, seja amorfo, como a água. Se você colocar água numa taça, ela vira a taça. Se você colocar água numa garrafa, ela vira a garrafa. Se você colocar água numa chaleira, ela vira a chaleira. A água pode fluir ou partir-se. Seja água, meu amigo.” Bruce Lee

novembro 07, 2011

Remember love

Remember love. Yoko Ono Plastic Band
Recorded on 1 June 1969, in Room 1742 at the Queen Elizabeth Hotel in Montreal, after the recording of 'Give Peace A Chance'.
Vocals: Yoko Ono
Guitar: John Lennon
The B-Side of the single 'Give Peace A Chance' by Plastic Ono Band.
Later released on the remastered CD of the John Lennon & Yoko Ono album 'Two Virgins'
Song Yong Hong. The Bath of Consolation No. 5
serigraphy
ver link
ver link 2
ver link 3

Katsushika Hokusai

Katsushika Hokusai 1760-1849. Destruction
Katsushika Hokusai. The Hero Asashina on the Island of Demons 1835-1836. ink on paper

Remedios Varo

Remedios Varo Uranga em 1908 e morreu em 1963 foi uma pintora surrealista. Catalã, Espanha, morrreu no México.  Remedios Varo, uma artista apaixonada pela ciência, mistura fórmulas matemáticas e complexos conceitos físicos, com um mundo mágico de fantasias e seres surrealistas, criados inteiramente na sua imaginação.
 

Celebração

tumblr_l5eh4fNMKI1qa4s0qo1_1280.jpg (imagem JPEG, 762×800 pixels)
Hiro Yamagata. Celebration 1983

or whatever

or whatever

junho 14, 2011

workaholic

Logo vão-se embora poemas, lirismo, coisas emo em geral, ouvir música, depois a vontade cozinhar. Antes de tudo isso o tempo pra se cuidar, pra visitar a vó, cuidar dos bichos e das plantas, não resta espaço na agenda para consultas médicas, para ir à análise,,,
por último a paciência para lidar com pessoas.

janeiro 27, 2011

Estruturas e mulheres

Ontem vendo um programa documentário sobre Carolina Herrera observei algo meio na lateral: as modelos dos anos 1980 mais velhas, lindas também, tentavam enquadrá-las naquelas ombreiras enormes (e feias demais e dispensáveis), as chamadas roupas estruturadas, no entanto elas desfilavam como se flutuassem na passarela ou dançassem levemente - plumas ou aves sensuais.
As modelos contemporâneas, com roupas que não escondem suas formas e seu corpo, no entanto marchavam como quase como militares, tão magras e tão pesadas, com raríssimas exceções (haviam as que também flutuavam), estas se parecem duras ou molas porque quicam em suas roupas femininas, as vezes vaporosas, roupas que para serem desejáveis prescindem das modelos.
Há muita coisa entre as modelos dos anos 80 e as de agoras, dizem mesmo que uma nova mulher (?) e uma nova modelo,,,

janeiro 06, 2011

Art Eggcident

Quem fez foi o artista holandês Henk Hofstra o lugar é Leeuwarden no norte da Holanda chama-se “Art Eggcident“: são 8 ovos gigantes de cerca de 30 metros de diâmetro. Vi no Follow the colours, ver link. Me identifiquei um pouco.

janeiro 01, 2011

Mayra Andrade e Mariana Aydar cantam "A Outra" de Los Hermanos (Marcelo ...

Ainda sobre a guerra

Diz Pedro Nava que a experiência de casa com mãe e tios o fez crer que o mundo era bom. Mas qual nada, as suas próprias custas, constatou que o mundo era mau, pior a vida é que era má:
“ Vim descobrir a minha própria custa, como estava muitamente enganado, isto é a vida é má, o semelhante pior (...) o homem domesticado é freqüente no imanir e voltar a sua bruteza habitual” Pedro Nava Beira-Mar.
Em working class hero de John Lenon (tradução), encontrei algo mais aproximado ao meu mundo. O mal começa em casa mesmo e na infância:
“Magoam você em casa e te batem na escola. Eles te odeiam se você é esperto, desprezam se é um idiota. Até que você esteja tão louco que não consiga seguir as regras deles”.

Em casa já havia o inferno, apanhava muito. Fora de casa e em casa, nas proximidades tanta insatisfação jogada aos olhos de alguém de 5  ou 8 anos. Também na rua nos batiam. Mas mesmo assim eu e meus irmãos permanecemos deslumbrados. O mundo era bom, as pessoas seriam boas até que provassem o contrário e nos causassem muita dor. Acordávamos e sorriamos ao novo dia, todo dia, dia após dia tudo continuava lindo. Estávamos destinados a fazer parte do grupo daqueles que nada deixariam de contribuição neste mundo como um operário ou ocioso qualquer, como previsto pelo nobre Adam Smith.
Então, fiz com meus irmãos a primeira guerra na rua para parar de apanhar – saímos vitoriosos. E uma segunda guerra fiz em casa, por minha conta e risco,  contra o despotismo patriarcal, virei trotskista, filha de pai simpatizante da ditadura militar. Embora nunca tenha sabido bem o que fosse trotskismo. Só sabia que era o mais radical entre os movimentos de esquerda contra a ditadura, dele fiz parte inteira. Fui expulsa de casa, tinha 18 anos -  me chamaram de volta. Neste caso, não houve vencedores, acho, no entanto que perdi uma gigantesca oportunidade para crescer de verdade.
Mesmo assim permaneci deslumbrada, acreditando na vida e num “mundo melhor”, geração coca-cola que sou.
As minhas próprias custas constatei, como Nava, finalmente, que o mundo era mau. Eu creio hoje, que os obstáculos, e o estado de exceção (Benjamin, Agamben) são o normal.
Houve o dia que doeu tanto, depois de tanta pancada, no sentido metafórico, que eu fiquei torta, travada do corpo. E pensei que a saída seria a guerra. Todos seriam rivais, adversários, inimigos ou aliados. Antes. tudo que eu queria era paz, harmonia, achei que teria isso por merecimento pois eu era boa, apenas boa, nem sempre justa, mas boa, então mereceria paz, sossego, harmonia. Então, constatei a guerra declarada de modo não explícito.
É guerra no amor, na escola, no trabalho, dentro de casa, na mesa do bar, na sala de aula, no corredor, na fila do supermercado, no mercado, dentro do ônibus. É guerra, e eu que nem sou de guerra, por incompetência (sempre desvio deste rumo). Minha saída talvez seja a logística: tudo que diz respeito a guerra mas ainda não é guerra. No entanto, resolvi enfrentar a guerra, aceitar a exceção como o normal, em péssima hora, já abatida por suas conseqüências.
Tem algo de bom nisso, já vem Poliana moça, que me entranhou, a guerra declarada é melhor do que o fingimento, a dissimulação, a desfaçatez e a hipocrisia. Pena que nesta guerra não haja regras como nos jogos e nas guerras campais. Mas, é a tal guerra afinal! Quem sabe tome gosto pelos embates, como meus ancestrais nativos do Brasil.

dezembro 30, 2010

Green Day - Working Class Hero

guerra é de quem de guerra for capaz



[...] Quando o intelectual ocidental parte para a ação, sua sereia, vai normalmente para a política, esse simulacro da ação, que substitui a verdadeira ação, que é a guerra, pelos vai-e-vens das conversações e negociações, próprias da classe dos negociantes. [LEMISNKI, Paulo. Anseios crípticos 2. Curitiba: Criar Edições, 2001. p. 29].

Guerra sou eu/ guerra é você / guerra é de quem de guerra for capaz / guerra é assunto importante demais para ser deixado na mão dos generais. (P. Leminski)

O fato é que eu nunca quis negociar, nem saberia. Desde gerações passadas sequer tivemos idéia do que seja a boa vida, condenados por boa vontade ao trabalho, com toda sua carga de "tormento, de agonia e de sofrimento". Como desejar algo desconhecido seja ócio seja negócio? Para estes é preciso ser talhado de berço. Fui talhada no berço para trabalhar, outro fato é que aquele que trabalha "não tem tempo para política" nem meios para os negócios.

Negocio, advém de “sem ócio”, ócio era algo sem recompensa, negócio então significava “não sem recompensa”. Depois como tudo em semântica, os significados modificaram-se e negociar se tornou lidar com negócios; transacionar comercialmente; permutar ou vender por contrato, agenciar, diligenciar, pactuar; firmar e/ou celebrar (acordo, ajuste, contrato). Estes últimos são mais próximos do sentido que Leminski atribui.

Com o texto sobre o escritor japonês Mishima, Leminski abala [para mim] a tese de Hannah Arendt. De acordo com Leminski “o espírito dos ocidentais pensa a matéria, o Fora. Num gesto muito mais genial, porque mais global, essencialmente radical, Mishima resolve o problema transformando seu espírito em matéria, matéria pensante, inteligente”. Referia-se ao fato dele além de escritor cultuar seu corpo mediante artes marciais, com toda carga de tradição e modo de vida relacionada à estas.

Para Hannah Arendt (em a Condição Humana) a “ação é a atividade que se exerce entre homens sem a mediação de coisas e da matéria”. Ação é condição de pluralidade. Hannah diz que “todos os aspectos da condição humana tem relação com a política”, a pluralidade é a condição de toda vida política. Ela diz que o povo mais político que conhece, os romanos têm como sinônimas as palavras viver e estar entre homens, morrer é deixar de estar entre homens. A ação é uma das atividades humanas juntamente com labor (reprodutiva) e trabalho (produtiva de mundos artificiais, manufaturados). A ação é a que cria condição para a “lembrança” e a “história” assim como pensar novos começos.

Gregos decidiam politicamente por meio do diálogo, pela persuasão não pela força ou coerção. Agostinho (cristianismo) por sua vez introduz a idéia de vida negotiosa ou actuosa, ou seja dedicada aos assuntos políticos ou públicos. Trabalho e labor permanecem atividades subalternas, enquanto que a vida contemplativa é considerada, ainda, o único modo de vida livre. (no cristianismo)

Contemplação é a cessação da ocupação e do desassossego, a cessação do movimento, a quietude. Todo movimento cessa, todo discurso e raciocínio cessa diante da verdade. Assim como “a guerra ocorre em benefício da paz” o pensamento culmina com a “quietude da contemplação”. Ela diz que a negociação advém com o homem faber, aquele que  se relaciona com outros trocando produtos. "Uma vez que ele produz no isolamento". A esfera pública deste homem é o mercado, onde cria o apetite pela barganha e pelo consumo. No mercado o homem faber deixa o isolamento. Uma "sociedade de operários" o valor dos homens é dado por sua função. Ela diz, ainda, que este fabrica no isolamento para o consumo privado. O valor deste produto é dado na esfera pública.
Opinião, diametralmente oposta a noção de que a troca é um dos principais meios da relação isolamento-individualização, já que ‘"torna supérfluo o gregarismo e o dissolve". (Marx apud Canevacci. p. 7). Eu mesma não acho que se produza algo sozinho, anos e anos de aperfeiçoamento de técnica, saberes estão inclusivos num processo produtivo.

Pode-se deduzir de Marx que a criação do homem vem do trabalho humano . Contudo aos operários, a sociedade dá o preço e o desprezo, o mesmo desprezo que é dado aos convivas ociosos "que nada deixam de si em troca pelo que consomem", Adam Smith citado por Arendt (p. 97). Ociosos e operários "são" isentos de  atividade política, segundo este racicínio (não é o meu, nem sei se é totalmente o da Hannah). No caso dos operários a insatisfação com a servilidade demonstra-se com a sabotagem, a procrastinação (mesmo), a greve. Trabalhar cansa! Mesmo operários relutam em cotejar trabalho e vida.



Não é toa que quando voltaram da primeira guerra os operários europeus se arrogaram  a "poder" como diz Argan em Arte Moderna: "A classe operária, consciente de ter contribuído e sofrido com o esforço bélico mais do que qualquer outra, vai adquirindo peso político decisivo. Além disto, a revolução bolchevique demonstrou que o proletariado pode conquistar e manter o poder. Nós já tivemos operários presidentes.
Gosto das coisas porque passaram por mãos e cérebros humanos, são encartes de conhecimento, de saber fazer, talvez os objetos hoje sejam constructos-experiência, reservatórios da experiência - já que a narrativa, diálogo, conversação estão em "crise". Concordo com Vicente Guallard quando diz que "os objetos pensam, reagem e atuam, além de suas qualidades materiais, os espaços e os lugares devem [responder] relacionar-se com eles. Os objetos pensam porque alguém pensou neles. Programou-os e lhes atribuiu qualidades para que se integrem em uma nova lógica do mundo em que tudo está conectado com tudo”. 

Ok, mas isso não confere ao operário nenhum dignidade a mais, o designer, o técnico, o gerente, o executivo adquirem este valor. E as conversações ficam para os filósofos e os sindicalistas (estes já no fim de carreira).

Leminski por meio de Mishima propõe algo diferente a guerra (negociar) é mais do que a política (persuasão, consenso). Guerra diz respeito a todos não é prerrogativa militar. O livro relatado por Leminski “Sol e Aço" de Mishima, se trava "a luta com as palavras. A luta com as armas. A luta consigo mesmo. A luta contra o destino." é a luta e o "Amor pelo sol.”

Voltando a mim mesma, o aprendizado da negociação é o que tenho  recusado, talvez seja hora de aprender viver entre os homens e mulheres não por um sentimento qualquer mas ocupar um lugar (diz Agamben que isso é um bem). Aceitar o que diz Zeca Baleiro “antes o atrito que o contrato”. Não devo estar cansada de guerra só de observá-la. Já é hora de voltar ao sol.

dezembro 29, 2010

Numa cena de “Comer, rezar e amar” um amigo diz a protagonista para ela deixar os pensamentos saírem para que o universo possa entrar. Aproximando isso ao meu mundo, bem que eu gostaria de achar um modo dos meus pensamentos saírem de mim: são demasiadas pendências. Porém não sei não se quero que o universo entre em mim. Deve demorar mais e doer mais para sair do que os pensamentos.

dezembro 21, 2010

"Nesta Era MídiaVil, minha IndignAção é igual, meu karatê é verbal...


Aos Amigos, Tudo! aos inimigos, o youtube!

A web gira e o wikileaks roda. De post em post o nauta acha o lost.

O preço da felicidade é a eterna militancia." In. wilson yoshio.blogspot

http://blogdosamuraiuchinanchu.blogspot.com/

dezembro 15, 2010

Anjos e vampiros, insights incompletos

Nos primeiros anos da "era" informacional, segundo Michel Serres, ressurge a figura dos “mensageiros”, enunciada pelas antiqüíssimas lendas dos anjos que conhecemos por meio das grandes religiões monoteístas (judaísmo, cristianismo, islamismo). O anjo, velha e nova figura, Angelos, em grego significa mensageiro.
Serres diz que todo dia, nas cidades contemporâneas, descem para trabalhar Prometeus, Hércules, Atlas, entre eles estão os Arcanjos, portadores de mensagens, que muitas vezes controlam motores.
Na história, no drama dos trabalhos, Serres em seu livro "Atlas" designa que são três atos: carregar, aquecer e transmitir. Deste último, os anjos são as figuras representativas, o estado da matéria que marca o mundo onde circulam signos invisíveis é volátil, e o problema aí não é o da forma, não é da transformação mas o da informação.

Serres diz: "O anjo possui ao mesmo tempo um olhar acerado de inteligência e um olhar piedoso.”
"o anjo permite ao mesmo tempo compreender, por finas técnicas, o funcionamento das coisas, dos homens ou dos utensílios e de expor a moral, coisa rara.” O anjo faz a mediação entre dois universos", o material e o imaterial.

A era “comunicacional”, ainda de acordo com Serres, pratica  reduções do conceito". Isso se releva quando Serres  e alguns cineastas nos remetem ao universo “angelical” mais uma vez.

Os anjos aparecem em filmes dos anos 1980-90,como: "Asas do desejo", do diretor Wim Wenders (1987), cuja tradução literal do alemão seria "O céu sobre Berlim" (Der Himmel über Berlin) e Cidade dos Anjos, direção de Brad Silberling com Nicolas Cage e Meg Ryan (1998). São filmes sobre o inefável, a leveza, os fluxos invisíveis, intangíveis, vice-versa.

Asas do Desejo remete, entre outras coisas, a memória, a compreensão das coisas com olhar empático. Sobre os escombros, ruina e vazios de Berlim recem unificada o anjo paira. O ponto de vista que sobrevoa a cidade é o que o cineasta nos proporciona.
"A câmara é uma arma contra a miséria das coisas, nomeadamente contra o seu desaparecimento. Porquê filmar? diz Wenders

Por sua vez, A cidade dos anjos remete aos sentidos, aos confrontos entre finitude e eternidade. Os anjos não nos mostram a cidade, penduram-se em postes publicitários. Há o mar. E como em Asas do desejo as bibliotecas, as bibliotecas.
Sobre os sentidos: “Eu prefiro ter sentido seu cabelo uma vez, ter dado um beijo uma vez, ter tocado uma vez a sua mão, do que uma eternidade sem isso !!!” diz Seth (Cage) o anjo que se apaixona por uma médica (Meg Ryan)

Os anjos dos dois filmes caem na terra, "To fall in love", apaixonar-se, em inglês, tornam-se humanos para amar e enfrentam a finitude. Enquanto eram anjos eles cuidavam dos outros; "fall in love " também pode ser  aproximado à cair em si?

Já nos anos 2000 vieram os vampiros que são mortos vivos, eternos jovens, não são lá muito sociáveis - sua comunidade é exclusiva, quando não são completamente solitários. As exclusividades sociais são círculos viciosos, segundo Zigmund Bauman em  seu livro "Comunidade": "muitas das forças mais poderosas conspiram, ou pelo menos atuam em uníssono, para perpetuar a tendência exclusivista e a construção de barricadas."
Vampiros contemporâneos são sempre lindos (esqueçam Nosferatu) e ricos. A empatia que o Nosferatu por ventura desperta é diferente, pois em certos momentos aproxima-se da piedade,, como aquela que sentimos pelo filho que saiu torto. A possível simpatia que os vampiros moderninhos despertam, tem algo de inveja, mal olhado. Els são "montados" a maneira das celebridades, pode-se amá-los como um astro qualquer.  A maldição da eternidade do vampiro é suspensa diante dessa "encarnação" de beleza.. A sedução da eternidade e juventude vence.  Drácula de Bram Stoker é plasticamente um belo filme, os atores são charmosos, cool, mas o medo e danação que provoca predomina sobre a beleza e a sedução do Drácula de Gary Oldman. Não dá nem para amar nem para ter piedade., embora seja sempre o amor a desculpa para tudo "love never dies" é o subtítulo do filme Não escamotea o enfrentamento literal do sublime, demasiado grande ou irrascível para assimilar só com os olhos.

Lembrete: Karl Marx compara o capital/capitalista ao vampiro. Este não largará a presa 'enquanto houver um músculo, um nervo, uma gota de sangue a ser explorada' (citação de um texto de 1845 de Friedrich Engels). Já foi o tempo da promessa emancipação do trabalho, da vida boa,, do tempo realmente livre. O trabalho ainda é desassossego, tortura e vampiragem.

Na era informacional/ comunicacional, capitalismo flexível, seja qual for a designação que aprouver, a nova velocidade/ mobilidade emancipa o capital e seus agentes - “proprietários- ausentes”. Os novos jovens vampiros estão bem próximos do que Zigmund Bauman denomina em Globalização de “proprietários- ausentes”.
" Este conjunto de privilegiados obteve liberdade de movimentos – que origina – a “não responsabilização” pelos atos do que faz, precisamente pela capacidade de mobilidade dos movimentos.
Este é o tempo de acordo com Bauman que “alguns podem mover-se para fora da localidade – qualquer localidade – quando quiserem. [Enquanto] outros observam, impotentes, a única localidade em que habitam movendo-se sob os seus pés” , estes são os homens comuns da multidão? fragmentados demais, desengajados demais para notarem sua situação ou destino comum.

As elites extraterritoriais são “globais”. Enquanto isso, o resto da população é cada vez mais “localizada”, tendendo a imobilidade ou sendo forçada a isso. A elite extraterritorial prescinde dos espaços geográficos, não possui vínculos nacionais ou comunitários. "O sentido de comunidade (e de interesse pela comunidade) desaparece na elite." Bauman diz em seu livro "Globalização, as consequências humanas".

No caso dos vampiros não há vínculo nem espacial nem temporal, apenas desengajamento social e territorial, quase não há afetividade ou empatia, quando ocorre é egocêntrica. Afetividade é mais atributo de anjo do que de vampiro. Pensando bem, o anjo catastrófico, traidor de sua via do filme Constantine (com Keanu Reeves, Dirigido por Francis Lawrence) parece marcar essa mudança de marcha na compreensão intuitiva, poética (?) dos eventos ou rumos da vida na globalização (?) da esperança ao cinismo, da utopia a distopia. nada disso é novidade 
Ambos, anjo e vampiro, levam a pensar o ciclo da vida, a maldição do tempo, o "inumano". Depois penso nisso aqui.

dezembro 03, 2010

De volta pra casa

De volta, depois de quase uma semana longe de casa. No Rio, desde sábado um dia antes da ocupação do Alemão. O Rio que eu vivi foi um Rio de paz. Eu só vi o outro lado quando cheguei no Galeão, a Penha sob helicópteros pretos. Sábado e domingo em Ipanema e Leblon. Nos outros dias, andei nas beiradas da Praça XV, bebi mais chop do que devia, comi carnes irreconhecíveis, sentei em calçadas antigas onde vendedores vendiam coisas que eu não precisava, um atrás do outro, insistemente. Neguei dinheiro a um poeta, depois descobri que ele estava com fome. Vi muita gente dormindo na Rua no Centro, nenhum mendigo em Ipanema. O choque de ordem deu certo ?
Andei, estive na Avenida Rio Branco em meio ao povo comum e engravatados que pagam mais de 50 reais por Buffet no almoço (?). Entrei pela primeira vez no Prédio do MEC, tive uma experiência de forno. Como Ipanema e Leblon estão distantes do centro. Dessa vez choveu ... Fui a todas as livrarias que tive e não tive direito, gastei o que não devia. Vou dever...
Ficar só no Rio me deixa deprimida (foi apenas uma segunda assim). Participei de um evento em que encontrei amigos, conhecidos, pessoas que admiro, passei pelo centro e foi bom. O centro do Rio é uma riqueza! Não fui a Gamboa, tomei uma sopa de 5 reais, deixei metade de um copo de vinho.
Conversei com Robson sobre Tostoi. Ele me contou sobre a narrativa sob o ponto de vista de bichos e que tem vontade de fazer uma coletânea sobre esse assunto. Eu contei sobre uma das palestras do encontro que abordou contos de Guimarães Rosa em bois conversavam. Um deels está em "Corpo de Baile". Segundo o expositor os contos tratavam sobre "o quem das coisas".
Estou mudando de novo de opinião sobre narrativas. Dormi mais do que podia, cheguei 20 minutos antes do avião partir de volta.

novembro 15, 2010

Realidade, acho que sei como é

Cresci com estes versos de Vicente de Carvalho na cabeça, são emo, fato, mas, eu também lia Grande Hotel, ex romântica, sem melancolia. Já vai tarde.
A "Felicidade, árvore frondosa de dourados pomos. Existe, sim, mas nós nunca a encontramos porque ela está sempre apenas onde a pomos, e nunca a pomos onde nós estamos." Passados suados 48 anos queria uma versão destes versos, ou uma conversão destes para realidade em vez de felicidade:
Só me restou a realidade, de um ponto de vista materialista pragmático. Recordo ensinamentos marxistas: “realidade síntese de múltiplas determinações” ou “tudo que é sólido se desmancha no ar”.
Sensação reincidente de que a realidade está sempre ou aquém ou além dos desejos, das expectativas, dos recursos, das possibilidades. O que é realidade?(pergunta moderna), onde está? que posição ou disposição ocupa na terra? Terra? Sei o como é... acho que sei.

Realidade não é árvore, não tem pomos e nem a dispomos. Seria rizoma? está por ai e nem aí, como nós em nossas redes, está em toda parte e em nenhuma. Realidade combina com ubiquidade.

outubro 07, 2010

Ainda me deixam falar!!!!

Discutir política é tropeçar nos tapetes das más línguas, estar sujeita à cusparadas ao desprezo e sair estropiada as vezes. Pois, sou lenta, o argumento só vem depois que o debate se encerrou.
Só ruminando muito constato que fui vítima de silogismo barato, o raciocínio que achata diferenças, diversidades é o seguinte: se dirigentes do PT, membros do governo ou aliados cometem atos de corrupção, todo petista é corrupto assim como seus simpatizantes. Como me enquadro na categoria de simpatizante logo sou corrupta. Dizem “lamento muito você é a favor da bandidagem!”.
Não sou não, mas não discuto caso de polícia seja sobre os filhos de Erenice seja sobre o goleiro Bruno porque pra isso existe polícia e justiça, e não posso julgar com as informações que estão disponíveis. Por outro lado, não quero ocupar a posição de juiz de quem quer que seja.
Se evoca o plano epistemológico mas se mantém a discussão no plano de valores. A moral é colocada acima do projeto ou ações governamentais. O projeto e a gestão se “sujam” e você que concorda com projeto, com a gestão e se o defende é ingênua, e se você diz que se vive num momento democrático, pelo menos no momento da escolha e do voto, você não só é ingênuo, é crédulo também. Ridículo de fato. Só não me atribuem a pecha de má fé porque sou boazinha, eu acho! Porque vivo do meu emprego ou tiveram pena de mim porque sou crédula, uma coitada. E só me faltaria essa.
Não façamos confusão com momento democrático em que você exerce o direito democrático do voto com período de governo e as ações legislativas (não só do executivo) quando injunções e lobbies de toda natureza intervém. Aqueles que financiam campanhas provavelmente cobram seu troco, certamente da maioria de deputados e de senadores, que representam agro-negócio, corporações, setores corporativos.
Acho imoral e hipócrita o deslocamento da discussão de programas e projetos para o país estritamente para a questão moral. Afinal política não se exerce especificamente neste âmbito infelizmente, em praticamente nenhum governo do Brasil e do mundo.
Na discussão um sujeito usou uma tática retórica de redução do adversário colocando-se na posição superior, como se ocupasse alguma posição relevante. Primeiro atacou minha moral: sou a favor da bandidagem, depois subestimou minha capacidade de discernimento: sou ingênua; depois veio para o meu campo e me atribuiu erro epistemológico. Cometo erro epistemológico por que me coloco contra o neoliberalismo. A diversidade de pensamento também se dá na ciência política ou não? Ciência política não é estritamente um problema de conhecimento porém de sabedoria, de bom senso, política por sua vez um problema de crença, de simpatia e de afeto.
Simplesmente me afeta alguém supor porque algum espírito de porco pisou feio na bola tenho que jogar fora todo um projeto político e aderir à força ao retrocesso democrático.
Sei que apenas um passo curto foi dado mas ele é concreto. Não é autonomia aceder ao mercado????, milhares acessaram o mercado, a chamada classe c, milhares tem luz elétrica nas regiões rurais, mais milhares entraram em universidade públicas e em escolas técnicas, mais milhares conseguiram empregos, muitos pequenos conseguem exportar seus produtos coisa que gente muito grande conseguia antes. A periferia faz cinema, teatro, fotografia, publica livros. A periferia conta suas próprias histórias não precisa de intermediários, intelectuais e artistas consagrados para isso. Enfim, não sucumbimos a crise como países europeus e os Eua, muito se deve a criatividade da ex ministra da Casa Civil, candidata a presidente do Brasil: a criação do PAC e Minha Casa Minha Vida. Projeto este útil no momento de crise mas que na minha humilde opinião deve ser retotejado às diretrizes pensadas pelo Ministério das Cidades e a redemocratização da questão da habitação, ou seja deve-se reduzir o peso decisório do mercado neste setor.
Posso até romper um dia essa minha simpatia política, pois perdão também cansa de perdoar, mas daí a dar munição para o outro lado,,, tenho que caducar antes que isso aconteça.
Bom Dilma!

agosto 11, 2010



Francis Bacon, 3 estudos de Isabel Rawsthorne, 1965.
Mas tbm pode cantar:
"eu não caibo mais nas roupas que eu cabia, no espelho esta cara não é minha, os anos se passaram enquanto eu dormia e quem eu queria bem me esquecia..."

Olhos pros lados e ninguém...

Uma vez assisti uma entrevista com Clemente, dos Inocentes, em que Frejat, o entrevistador, perguntou como ele se sentia sendo um dos poucos negros do Rock and Roll. Ele respondeu que no movimento punk original (anos 1980) eram muitos os negros, então se sentia "em casa". Estes aos poucos foram migrando para o hip hop, rap e outros ritmos. Então, um dia ele olhou pros lados e tinha só ele no rock. Clemente contou que teve uma pequena crise de identidade e depois pensou: Gosto de rock, não tem mais crise não.
Dizem que professores, por que não saem da escola, não se tornam adultos de fato.
Me sinto assim: muitas vezes, olho pros lados e não tem mais ninguém da minha faixa etária, com a diferença de que nem sempre é tão divertido (e punk) quanto na cena musical rock and roll....