

filme Julieta dos Espíritos de Fellini




Eu gosto de rir com vontade de rir. Gosto de ter esperanças, gosto de crianças, de bichos, de nadar, de areia da praia, de vento e maresia, de florestas, de espaço, de coisas muito usadas, das marcas do tempo nas coisas, das marcas do tempo no rosto das pessoas, de salada, de sopa, enfim, de comida quente e de cerveja gelada. Pois, vinho eu amo. Adoro praças cheias de gente, gosto de falar, interrompo, mas sinceramente não gosto quando faço isso.
Gosto do outono, do inverno e da primavera, só gosto do verão em dias de chuva rala e dos seus fins de tarde depois das 18 horas à beira mar. Gosto de Itaúnas, do centro de Vitória, de São Paulo, do centro do Rio de Janeiro, de Barcelona, de Nova Iorque (nem conheço), gosto de muitos pensadores, gosto de muita gente que já morreu. Gosto de abraço, de carinho de quem eu amo, que me passem a mão nos cabelos, de massagem. Gosto de montanhas e de pedras. Gosto de perfumes e de batons de várias cores, de roupas que se ajustem discretamente ao corpo. Sou fissurada em sapatos e bolsas, confesso que leio Vogue decoração (sou uma perua incubada com certeza)
Amo pessoas que gostam e se dedicam ao seu trabalho, detesto exploração de todo tipo e “puxada” de tapetes. Não gosto de quem conte vantagens ou humilhe os outros o tempo todo nem de quem fala muito alto. Para petulantes gostaria de não ter tempo. Não sei se amo a vida o tanto que deveria (para ter gratidão por esta jornada), mas não quero perder esta oportunidade de jeito nenhum...

O que pode gerar uma carta a um ex amor, a quem recorda as suas delícias inesquecíveis? Era uma carta meiga sim, sem intenções explicitas inicialmente, apenas se comunicar. Mas em desespero contido, sim aspirando uma definitiva ruptura, secretamente rogando indiretamente ao deus destino que alijasse daquele sentimento cada vez mais inominável e fugaz.Esscrita em 22 de fevereiro de 2008
Disse Baudelaire a sua passante;
"(...) olhar me fez renascer de repente, Só te verei um dia e já na eternidade?
Bem longe, tarde, além, jamais provavelmente! Não sabes aonde vou, eu não sei aonde vais, Tu que eu teria amado - e o sabias demais!
Eu escrevi o diálogo acima inspirada em dois contos, o primeiro de Wilson Bueno sobre duas cobras autênticas que se encontram uma simpática perguntadeira e uma meio blasé, resignada na sua condição de cobra venenosa. Sem demonstrar simpatia esta se mantinha cobra, em plena pose a cobra fingida nhacc nela. Ela só queria muito mostrar de antemão quão cobra ela era,,,, e depois vi que por inversão meu textinho relaciona-se ao conto de Caim e Abel de Jorge Luis Borges, neste os dois irmãos se perdoam, como deveria ser, afinal.
“Caim e Abel encontraram-se depois da morte de Abel. Caminham pelo deserto e reconheceram-se de longe, porque os dois eram muito altos. Os irmãos sentaram-se na terra, acenderam um fogo e comeram. Guardavam silêncio, à maneira das pessoas cansadas quando declina o dia. No céu assomava uma estrela que ainda não tinha recebido seu nome.
À luz das chamas, Caim percebeu na testa de Abel a marca da pedra e deixou cair o pão que estava prestes a levar à boca e pediu que lhe fosse perdoado seu crime.
- Tu me mataste ou eu te matei? – Abel respondeu.
– Já não me lembro; aqui estamos juntos como antes.
- Agora sei que me perdoaste de verdade – disse Caim – porque esquecer é perdoar. Procurarei também esquecer.
- É assim mesmo – Abel falou devagar. - Enquanto dura o remorso, dura a culpa”.
"Quero esquecer da vida pra viver o amor, ..., não precisa dizer nada pra não se arrepender, tem certos momentos na vida que o silêncio é melhor,..., peça pra que o dia não chegue pois vc me encontrou, esta noite vc vai ter que ser minha... nem que seja desta vez e nunca mais... só não quero deixar nada pra depois ..."

Inspirada no cineasta iraniano Abbas Kiarostami (finalmente me afasto da linha do diário de Bridget Jones 1). E também pensando na frase de Gadamer que “não conhecemos a nós mesmos”, minhas últimas experiências me comprovam isso relativamente a mim, evidentemente. Fiz uma listinha provisória (claro) de duas ou três coisas mais ou menos, que eu sei sobre mim:
Á Socrates, velho esperto, pois nunca lhe faltaram amigos e amantes

1- Ter intransigência comigo mesma (conter e nutrir);
2- Cumprir minhas tarefas iminentes (hora de planejar, isso requer solidão, reunir forças para realizar o trabalho);
3- Pacto de silêncio (manter a quietude e o recolhimento);
4- Não procurar por ele em nenhum dos mundos conhecidos ou desconhecidos nem terreno, nem extraterreno, nem virtual (conter e manter-me quieta);
5- Não adoecer (não me afligir por causa da solidão);
6- Tentar me curar (esforço moral para manter a ordem);
7- Esquecer (renunciar);
8- Não me esquecer de respirar (calma interior e adaptação às circunstâncias).
Escrito numa noite de insônia.


Nem escrevo mais, apenas fico ao seu lado, tédio. Fico ao teu lado sem beijo e sem cheiro.
She would never say where she came from