dezembro 15, 2010
Anjos e vampiros, insights incompletos
dezembro 03, 2010
De volta pra casa
Andei, estive na Avenida Rio Branco em meio ao povo comum e engravatados que pagam mais de 50 reais por Buffet no almoço (?). Entrei pela primeira vez no Prédio do MEC, tive uma experiência de forno. Como Ipanema e Leblon estão distantes do centro. Dessa vez choveu ... Fui a todas as livrarias que tive e não tive direito, gastei o que não devia. Vou dever...
Ficar só no Rio me deixa deprimida (foi apenas uma segunda assim). Participei de um evento em que encontrei amigos, conhecidos, pessoas que admiro, passei pelo centro e foi bom. O centro do Rio é uma riqueza! Não fui a Gamboa, tomei uma sopa de 5 reais, deixei metade de um copo de vinho.
Conversei com Robson sobre Tostoi. Ele me contou sobre a narrativa sob o ponto de vista de bichos e que tem vontade de fazer uma coletânea sobre esse assunto. Eu contei sobre uma das palestras do encontro que abordou contos de Guimarães Rosa em bois conversavam. Um deels está em "Corpo de Baile". Segundo o expositor os contos tratavam sobre "o quem das coisas".
Estou mudando de novo de opinião sobre narrativas. Dormi mais do que podia, cheguei 20 minutos antes do avião partir de volta.
novembro 15, 2010
Realidade, acho que sei como é
Realidade não é árvore, não tem pomos e nem a dispomos. Seria rizoma? está por ai e nem aí, como nós em nossas redes, está em toda parte e em nenhuma. Realidade combina com ubiquidade.
outubro 22, 2010
outubro 07, 2010
Ainda me deixam falar!!!!
Só ruminando muito constato que fui vítima de silogismo barato, o raciocínio que achata diferenças, diversidades é o seguinte: se dirigentes do PT, membros do governo ou aliados cometem atos de corrupção, todo petista é corrupto assim como seus simpatizantes. Como me enquadro na categoria de simpatizante logo sou corrupta. Dizem “lamento muito você é a favor da bandidagem!”.
Não sou não, mas não discuto caso de polícia seja sobre os filhos de Erenice seja sobre o goleiro Bruno porque pra isso existe polícia e justiça, e não posso julgar com as informações que estão disponíveis. Por outro lado, não quero ocupar a posição de juiz de quem quer que seja.
Se evoca o plano epistemológico mas se mantém a discussão no plano de valores. A moral é colocada acima do projeto ou ações governamentais. O projeto e a gestão se “sujam” e você que concorda com projeto, com a gestão e se o defende é ingênua, e se você diz que se vive num momento democrático, pelo menos no momento da escolha e do voto, você não só é ingênuo, é crédulo também. Ridículo de fato. Só não me atribuem a pecha de má fé porque sou boazinha, eu acho! Porque vivo do meu emprego ou tiveram pena de mim porque sou crédula, uma coitada. E só me faltaria essa.
Não façamos confusão com momento democrático em que você exerce o direito democrático do voto com período de governo e as ações legislativas (não só do executivo) quando injunções e lobbies de toda natureza intervém. Aqueles que financiam campanhas provavelmente cobram seu troco, certamente da maioria de deputados e de senadores, que representam agro-negócio, corporações, setores corporativos.
Acho imoral e hipócrita o deslocamento da discussão de programas e projetos para o país estritamente para a questão moral. Afinal política não se exerce especificamente neste âmbito infelizmente, em praticamente nenhum governo do Brasil e do mundo.
Na discussão um sujeito usou uma tática retórica de redução do adversário colocando-se na posição superior, como se ocupasse alguma posição relevante. Primeiro atacou minha moral: sou a favor da bandidagem, depois subestimou minha capacidade de discernimento: sou ingênua; depois veio para o meu campo e me atribuiu erro epistemológico. Cometo erro epistemológico por que me coloco contra o neoliberalismo. A diversidade de pensamento também se dá na ciência política ou não? Ciência política não é estritamente um problema de conhecimento porém de sabedoria, de bom senso, política por sua vez um problema de crença, de simpatia e de afeto.
Simplesmente me afeta alguém supor porque algum espírito de porco pisou feio na bola tenho que jogar fora todo um projeto político e aderir à força ao retrocesso democrático.
Sei que apenas um passo curto foi dado mas ele é concreto. Não é autonomia aceder ao mercado????, milhares acessaram o mercado, a chamada classe c, milhares tem luz elétrica nas regiões rurais, mais milhares entraram em universidade públicas e em escolas técnicas, mais milhares conseguiram empregos, muitos pequenos conseguem exportar seus produtos coisa que gente muito grande conseguia antes. A periferia faz cinema, teatro, fotografia, publica livros. A periferia conta suas próprias histórias não precisa de intermediários, intelectuais e artistas consagrados para isso. Enfim, não sucumbimos a crise como países europeus e os Eua, muito se deve a criatividade da ex ministra da Casa Civil, candidata a presidente do Brasil: a criação do PAC e Minha Casa Minha Vida. Projeto este útil no momento de crise mas que na minha humilde opinião deve ser retotejado às diretrizes pensadas pelo Ministério das Cidades e a redemocratização da questão da habitação, ou seja deve-se reduzir o peso decisório do mercado neste setor.
Posso até romper um dia essa minha simpatia política, pois perdão também cansa de perdoar, mas daí a dar munição para o outro lado,,, tenho que caducar antes que isso aconteça.
Bom Dilma!
agosto 11, 2010
Olhos pros lados e ninguém...
Dizem que professores, por que não saem da escola, não se tornam adultos de fato.
Me sinto assim: muitas vezes, olho pros lados e não tem mais ninguém da minha faixa etária, com a diferença de que nem sempre é tão divertido (e punk) quanto na cena musical rock and roll....
julho 19, 2010
Angelus caído e o espelho mágico
Uma criança de quarenta, inábil, incapaz para vida prática e pragmática, que sente vergonha de sua moratória interminável.
Essa minha alma de criança se parece com o angelus de Benjamin - enquanto o anjo olha para tras melancólico, ventos fortes o atiram em direção à vida adulta.
Não posso mais delirar, só me era possível quando meu corpo era jovem e são.
No espelho vejo uma pessoa cada dia mais velha e no cotidiano convivo com algumas pessoas adultas consideradas muito racionais. muito razoáveis e bem sucedidas que não passam de crianças indóceis, pirracentas, impertinentes, intratáveis.
Finalmente sou adulta, me sinto adulta por contraste. Se eles são infantis eu não sou.
Ah! mundo de espelhos invertidos, diria Foucault!
julho 03, 2010
Um Passo em Frente Dois Passos Atrás
É minha vida.
Há um capítulo neste texto, chamado: "Pequenas Contrariedades Não Devem Prejudicar um Grande Prazer". Ham. O que?
"(...) O Que não se deve fazer é que, em política, não se deve ser rectilíneo, inoportunamente áspero e inoportunamente intransigente,(...)".
"(...) "um dirigente do proletariado não tem o direito de ceder às suas inclinações combativas quando estas são contrárias aos cálculos políticos", (...)".
Uhhh!!!! pense sobre isso. Tenho que fazer planos, projetos pessoais,,, to estudando Lenin (estratégia)."É a minha vez de falar. "...
Meus lindos: chega de trair minha via como diz Maria Rita Kehl no seu livro "o tempo e o cão"
to em processo de construção deste texto!!!
junho 24, 2010
Camelo fêmea revoltado
"Vou dizer-vos as três metamorfoses do espírito: como o espírito se muda em camelo, e o camelo em leão, e o leão, finalmente, em criança.
Há muitas coisas que parecem pesadas ao espírito, ao espírito robusto e paciente, e todo imbuído de respeito; a sua força reclama fardos pesados, os mais pesados que existam no mundo.
'O que é que há de mais pesado para transportar?' — pergunta o espírito transformado em besta de carga, e ajoelha-se como o camelo que pede que o carreguem bem.
'Qual é a tarefa mais pesada, ó heróis' — pergunta o espírito transformado em besta de carga, a fim de a assumir, a fim de gozar com a minha força?"
(...)
"Mas o espírito transformado em besta de carga toma sobre si todos estes pesados fardos; semelhante ao camelo carregado que se apressa a ganhar o deserto, assim ele se apressa a ganhar o seu deserto."
Nietzsche "Assim falou Zaratustra".
junho 10, 2010
camelo desidratado
Se eu tivesse o pessimismo teórico talvez tivesse estudado algo assim como fungos ou bactérias, ou o manuscrito de algum filósofo obscuro com entusiasmo, daria menos horas aula, teria menos livros na estante que não se envergariam com o tempo, me dando a despesa de ter que comprar novas.
Se eu fosse uma especialista eu seria feliz, pois, teria todos meus neurônios alinhados. E saberia qual pesquisa fazer no próximo semestre, que livro ler amanhã. Viveria na friagem do laboratório ou na sombra de um árvore não precisaria de filtro solar nem de óculos. Talvez não esquecesse de pintar os cabelos e teria mais amigos...otimismo prático é “fé na vida” ou no homem?.
maio 28, 2010
o tipo de aparição em que acredito
Meu avô me levou em seu FNM ao lindo areal, extenso. Na minha lembrança o lugar é uma borda entre o areal e o inicio de um loteamento muito desabitado. As casas salpicadas, muito distantes entre si. Uma visão: numa rua inusitada no meio do areal, sem uma construção sequer, mais inusitada ainda, surge uma trupe de circo.
Um circo muito mambembe, um palhaço maltrapilho, um homem de perna de pau, mais uma ou duas pessoas vestidas com roupas de circo, acompanhadas por um caminhão muito antigo, um homem com megafone anunciava a redundante frase “hoje tem marmelada, tem sim senhor. hoje tem goiabada, tem sim senhor. E o palhaço o que é? É ladrão de mulher!!!!”.
Um filme de Fellini se aproxima e figurativiza o meu encantamento, meu deslumbramento, de menina de 7 ou 8 anos com aquela visão. O encontro daquela trupe com a imagem daquele areal branco neve, a areia que o vento levantava em grãos muito finos, superpondo a paisagem azul e rosa desse pontilhismo branco.O mesmo encantamento que causa uma cena de Julieta dos Espíritos. A cena da chegada da sua vizinha e convidados à praia. O comentário de Rafaello enuncia: “Isso sim que é uma aparição. É o tipo de aparição em que acredito ...”
Há uma música, que Cássia Eller canta, que me reevoca esse dia em Vale Encantado, a música “Maluca”:
“(...) Foi minha irmã quem me chamou pra ver. Era um caminhão, era um caminhão Carregado de botão de rosas. Eu fiquei maluca. Por flor tenho loucura, eu fiquei maluca. Saí . Quando voltei molhada Com mais de dúzias de botão (...)”.
Meu avô me proporcionou isso... as melhores lembranças que tenho da minha infância.
abril 23, 2010
fevereiro 18, 2010
A minha Lília Brick
fevereiro 17, 2010
fevereiro 07, 2010
A ex-punk e o pagodeiro
*“querendo te encontrar”. João Bosco e Vinicius, do DVD pirata que ele esqueceu na casa dela.
janeiro 22, 2010
Volúvel e fácil

Franz Kafka tem um conto que foi traduzido em Portugal por "A Recusa", traduziria como "A Rejeição". é assim, um rapaz mexe com uma garota: “Ei quer vir dar uma volta comigo?” e ela responde algo como: vc está muito distante do meu sonho. O rapaz retruca: pensando bem vc também não é meu tipo de mulher. Chegam a conclusão:
" Sim, ambos temos razão, e para que de tal não nos apercebamos de modo irrevogável, será melhor, não achas, que cada um vá sozinho para sua casa. "
Quando se faz ao contrário e se aceita o convite de alguém que vc não tinha reparado a noite inteira, por pura distração, diga-se de passagem. Mas que é uma pessoa de outro mundo, que fala outra língua e nenhuma pesquisa no google encontra, enfim,um cara do tempo da manufatura. No fim das contas, teria sido melhor ter ido pra casa por caminhos diferentes. Pois não se passa por esse tipo de experiência incólume não?.
"antes mais uma cerveja do que matar sua fome ,,, como diria o cantor de bolero" Fagner & Zeca Baleiro
janeiro 07, 2010
do diário dos quarenta
dezembro 31, 2009
Seria uma sereia ou seria Só
dezembro 19, 2009
o carro velho, a motorista que não sabia dirigir e a passageira que não conseguia desembarcar
Recuperei o apreço por Charles Bukowski e isso vai me custar 200 reais. Quase tudo me custa muito. Será que sou eu que transformo tudo neste tipo de valor para que eu pague o preço? Sei lá
Mas já sei o que significa aquele sonho do carro meio quebrado descendo a ladeira com uma motorista velha que não sabe dirigir direito e que não para quando eu solicito. O carro continua, não está desembestado, apenas não pára. Até que num ponto adiante vejo algumas alunas e peço de novo que pare. Como não fui atendida eu desço do carro em movimento. A motorista reclama, ei não vai pagar não?!!! Embora tenha o dinheiro para pagar 7 reais, não pago. Hum?!
A vida não para e no momento eu não dirijo. Sigo, alguém sempre me leva, porém nem sempre quero ir. Na verdade as vezes quero apenas ficar um pouco mais, contudo sou obrigada a seguir pois minha vontade não conta. Sigo sem querer e alguém ainda me cobra o preço, deve ser isso não?? Só que daquela vez eu não paguei, era um sonho.
novembro 17, 2009
O que diria a menina que eu fui, se me visse hoje?
Contando segredos a motoristas de taxi... Psicólogos, eu pago regiamente. Tendo como deus mais gentil um blog, e felinos de verdade como companheiros. Despreparada para o amor.
Já não choro por amor, choro quando um homem desvanece, choro em enterros de homens sólidos, daqueles cuja fundação era de pedra. Nosso tempo é aquele que devemos edificar na areia, acreditando ser pedra como diz Borges.
Estou, sempre que posso, tentando despertar a deusa que mora em mim. Mas fica cada vez mais caro o projeto bonita.
Espero ainda o tempo de chegar até mim mesma, mas estou sempre adiando, adiando este momento. Chegar até mim, é o que eu chamo de me tornar sábia. Ando traindo a minha via por nada, nadinha mesmo. Há tempos isso acontece.
Nunca fiz muitos planos, sempre segui um dia de cada vez. As coisas mudam. Tem uma estranha que me olha no espelho agora. Ela é toda diferente, não é mais deslumbrada, quase não sorri, chega a ser monótona. Eu a tolero desde que volte a dançar.
Quem disse que a mudança dói na adolescência, a gente muda o tempo todo, Platão. O devir é inevitável, podemos fingir que não vem. A cada dia, amadurecemos, oxidamos, entortamos, talhamos, etc. e um dia tudo acaba.
O que eu menina pensava sobre uma mulher como sou eu hoje?
A petulância dela me fez ser assim, quase impossível, “ferrada” e um sucesso ao mesmo tempo. Triste e sonhadora, carente e auto-suficiente “afetiva” (quem me dera, mas é algo assim), memoriosa e indiferente, quente e fria. Doce até não poder mais. Eu sei, saiba também, este dia sempre chega, o dia de não poder ser mais doce.
A curiosidade dela nunca morre. O sorriso está mais difícil do que nunca. A curiosidade dela me faz ir ao horizonte. Não, não busco a verdade nem a beleza, sempre busquei foi o encanto. Não temo o canto das sereias... A paixão pelo encanto foi o que a menina que eu fui me deu de presente.
novembro 09, 2009
outubro 22, 2009
O inferno tem muitas portas
“É preciso ser homem de bem mesmo no inferno”, “mesmo no inferno há ar para respirar” de Adorno.
“O inferno tem muitas portas algumas são bem conhecidas outras são mais disfarçadas, entenda-se com suas pernas" de Akira S,,,
Mas o que eu enfrento mesmo é o inferno aqui dentro, o tédio. Eu me faço perguntas. Se aquilo era o inferno, por que a falta, não pode ser falta.
Benjamin diz que no tédio se choca o ovo da experiência, e eu que nunca chego lá...todo dia refazendo e fazendo as mesmas coisas que consomem, meninos que se desarrumam, logo depois de vestidos e penteados, pensamentos que se desfazem no diálogo seguinte.
Falo em considerar todos os fatores na análise, mas não dá tempo, a pressa do dia a dia, não consigo ter respostas para as falas agressivas e reativas. Eu nunca fico pronta...
Aquela frase de que as pessoas do inferno são mais divertidas e o céu tem melhor temperatura. Fico pensando que lá no inferno estão as pessoas desagradáveis, cruéis, rancorosas, golpistas, super-vaidosas, super-sinceras e que todos são churrasquinho também. Num filme de Wood Allen o Diabo tem sala com ar condicionado, claro!!! Prefiro distância das pessoas do inferno por serem insuportáveis e das do céu por serem chatas. Será que haverá outro lugar pra ir?
Prefiro aqui como está e como estou...
setembro 24, 2009
Infâmias da solidão
A bisbilhotice (mesmo virtual) é nefasta, inútil, um desperdício mesmo. Um tédio comparsa da solidão! Infame solidão! Não que eu não tenha o que fazer. Mas a falta que faz esse assunto, que coisa. Não sou mais uma piscopata que persegue o amado. Fico a uma distância regulamentar. Mas o amor diz Bukowski é mesmo um "cão do inferno", mesmo quando morre continua rosnando. Bukoswki, as vezes consegue não ser interessante, mas seu bom senso me apazigua.
"A escrita - Charles Bukowski (O amor é um cão do inferno)
algumas vezes é a única coisa entre ti e a impossibilidade. nem a bebida, nem o amor de uma mulher,nem a saúde se comparam a ela. nada te pode salvar excepto a escrita. impede as paredes de ruir. o canalha de se aproximar. expulsa a escuridão.
a escrita é o derradeiro psiquiatra, o mais gentil deus de todos os deuses.
a escrita afasta a morte. nunca te abandona. e a escrita ri-se dela própria, da dor. é a última esperança, e a última explicação.
é isso que é."
agosto 30, 2009
Gatos atropelados
Reconheço tortos e aleijados de alma por que eu mesma convalesço disso. Meu couro está curtido, vejo tudo claramente, muito embora, tenho que admitir que seja a solidão que traga esta clareza. Quando aparecer alguém, irei continuar assim?
Meu couro está curtido, mas minhas pernas dobram-se ao peso da dor. Sinto que vou quebrar ao meio, ainda a mesma dor. De que adianta ver mais do que outros se minhas pernas não alcançam o horizonte? Se quando faz muito frio, eu tenha que conversar com felinos que nunca tomam banho?
Esses gatos me aquecem. Aprendi com eles o melhor modo de ficar junto, só que os companheiros humanos não perceberam. Nem todos estão preparados para o afeto, nem eu.
agosto 28, 2009
"Cuide de Você"

""Esse trabalho inicia-se quando Sophie teve um relacionamento amoroso rompido por email, que terminava com a frase “prenez soin de vous” (cuide-se). Sem saber como responder a essa mensagem e a essa situação, ela resolveu seguir o conselho de uma amiga de fazer um trabalho de arte e utilizou para isso a própria mensagem. Gravou em vídeo mais de cem pessoas lendo o email e fazendo comentários. Entre as “leitoras” estão a mãe da artista, as atrizes Jeanne Moreau e Vitoria Abril, a compositora Laurie Anderson, a DJ Miss Kittin, entre outros.
Ela enviou o texto do email para um advogado forense, uma lingüista, uma taróloga, uma juíza especialista nos direitos femininos, entre outros, e pediu a todos que o texto fosse analisado segundo o filtro de cada especialidade. E esse material compõe a instalação.
Para Sophie, “é mais fácil realizar um projeto quando sofremos do que quando estamos felizes. Não sei o que prefiro: se é estar feliz com um homem ou fazer uma boa exposição”. Seus trabalhos são acompanhados da escrita, seja no título, na legenda ou em narrativas, e são parte integrante da obra. Como disse a crítica francesa Cécile Camart, “a dimensão narrativa de suas instalações, misturando fotografia, textos e objetos, encontra sua filiação histórica na primeira metade da década de 70, em que jovens artistas como Christian Boltanski (”Récit-Souvenir”, 1971), Didier Bay (”Mon Quartier Vu de Ma Fenêtre”, 1969-1973) e Jean Le Gac (”Anecdotes”, 1974) propuseram uma ‘arte narrativa’, uma arte das pessoas, das coisas e das situações, que abrange um vasto leque da vida cotidiana real ou imaginária”."
ver em um artigo publicado em Publicado em 13 de março de 2009:
http://anodafrancanobrasil.cultura.gov.br/br/2009/03/13/exposicao-prenez-soin-de-vous-de-sophie-calle/
julho 23, 2009
A dieta do pensamento
“Quando um homem tem a boca cheia de comida, impedindo-lhe comer (...) como se conseguirá fazê-lo comer: enchendo-lhe a boca ou tirando um pouco de comida? Do mesmo modo, quando um homem sabe muito, quando sua sabedoria tem nenhuma importância para ele ou age como se não se importasse nem um pouco, o que é razoável: levar-lhe mais conhecimento ainda, (...), ou tirar-lhe um pouco?”
Redón diz que a dieta do pensamento recomenda assim, que não comer é a única maneira de continuar comendo. Com a boca cheia não se pode comer, assim como com o cérebro embutido de idéias não se pode pensar.
Kant diz algo semelhante, sobre a necessidade da pausa: “A mente se nega, de certo modo, a continuar trabalhando, mas permite ocupar-se de outras coisas. Perceber isso é parte da dieta do pensamento”.
A cozinha do pensamento: um convite para compartilhar uma boa mesa com filosofos. Josep Munoz Redon. Ed. SENAC
julho 14, 2009
Avulsa(s)
Nas missões jesuíticas (séc. XVI-XVII) as mulheres não podiam ficar avulsas, foi concebido um edificio especialmente para elas. Uma das aplicações do panóptico de Benthan era "abrigar" mães solteiras, tal como prisioneiros(as)...
julho 10, 2009
Todo anjo é terrível

"Todo anjo é terrível. Mesmo assim - ai de mim - vos invoco, pássaros quase fatais da alma sabendo quem sois."(...) Rilke
“É preciso conceber ou imaginar como voa e se desloca Hermes, quando ele transporta as mensagens que lhe confiam os deuses – ou como viajam os anjos. E, para tanto, escrever os objetos que se situam entre as coisas já observadas, espaços de interferência (...).
Esse deus ou esses anjos passam no tempo dobrado, daí surgindo milhões de conexões. A preposição ‘entre’ sempre me pareceu e continua parecendo para mim uma preposição de importância capital” Michel Serres
junho 28, 2009
Michael Jackson: estranhamente familiar

Esquisito de se ver, um efeminado esbranquiçado. Dizem que era frágil, frágil, vozinha fraca quando falava e que crescia no palco. Grande criador de gestos, passos de dança, letras e músicas. Outro monstro bizarro que não cabia no mundo dos normais demais. Eu compreendi isso, porque também sou monstra. Não gostava da maioria de suas músicas (demasiado pop? sei lá porque), mas admirava sua dança. Ele tinha o direito a ser da cor e do gênero que bem entendesse, desde que não invadisse sonhos alheios ou os limites alheios. Aos meus 10 anos ouvia Ben, e entronizou em mim, Ben...
"(...)
Ben, most people would turn you away
(Turn you away)
I don't listen to a word they say
(A word the say)
They don't see you as I do
I wish they would try to
I'm sure they'd think again
If they had a friend like Ben
(A friend)
Like Ben
(...)".
junho 04, 2009
eu gosto de ...
Eu gosto de rir com vontade de rir. Gosto de ter esperanças, gosto de crianças, de bichos, de nadar, de areia da praia, de vento e maresia, de florestas, de espaço, de coisas muito usadas, das marcas do tempo nas coisas, das marcas do tempo no rosto das pessoas, de salada, de sopa, enfim, de comida quente e de cerveja gelada. Pois, vinho eu amo. Adoro praças cheias de gente, gosto de falar, interrompo, mas sinceramente não gosto quando faço isso.
Gosto do outono, do inverno e da primavera, só gosto do verão em dias de chuva rala e dos seus fins de tarde depois das 18 horas à beira mar. Gosto de Itaúnas, do centro de Vitória, de São Paulo, do centro do Rio de Janeiro, de Barcelona, de Nova Iorque (nem conheço), gosto de muitos pensadores, gosto de muita gente que já morreu. Gosto de abraço, de carinho de quem eu amo, que me passem a mão nos cabelos, de massagem. Gosto de montanhas e de pedras. Gosto de perfumes e de batons de várias cores, de roupas que se ajustem discretamente ao corpo. Sou fissurada em sapatos e bolsas, confesso que leio Vogue decoração (sou uma perua incubada com certeza)
Amo pessoas que gostam e se dedicam ao seu trabalho, detesto exploração de todo tipo e “puxada” de tapetes. Não gosto de quem conte vantagens ou humilhe os outros o tempo todo nem de quem fala muito alto. Para petulantes gostaria de não ter tempo. Não sei se amo a vida o tanto que deveria (para ter gratidão por esta jornada), mas não quero perder esta oportunidade de jeito nenhum...
maio 31, 2009
maio 26, 2009
prato que se come frio é insosso
Não se esquece alguém porque se quer esquecê-lo, o sentimento, seja o nome que se dê quando se está quase vazio, só vai embora quando finalmente chegou ao fim. O esquecimento ainda não é o fim, esquecer é apenas deixar cair... e demora... é como se fosse na gravidade da lua...
É o tempo sobre o tempo, a vida que segue que permitirá enfim transformá-lo num vácuo; não ter nada a ver. Ao estranhá-lo verdadeiramente eu poderia me sentir livre.
E enfim a vingança, eu sei por que já vivi, como prato que se come frio, completamente insosso, não tem nenhuma graça... é apenas lembrança de um tempo desperdiçado.
maio 10, 2009
maio 05, 2009
Uma história romântica
Então ele sumiu, nos primeiros dias ela se deu conta e ficou na dela. Uma semana foi demais, ela saiu perguntando por ele e ninguém sabia dele nas imediações nem em outras paragens aonde ele poderia estar. Ela mesma saiu procurando pelos terrenos da Enseada do Suá (Vitória, ES) e achou ele morto de frio há quase uma semana num terreno baldio. Ela fez o enterro dele.
abril 22, 2009
Envelheço na cidade
Assim não nasci predestinada a ser par de homem nenhum, sabendo que não seria nem escolhida nem bela, fui à minha a guerra particular, fui a universidade e nunca sai de lá: “eu sempre fui jovem”.
É uma espécie de clausura essa, aonde está o lado de fora? a porta aonde está? que não acho ...
“Envelhecer na cidade” é uma tarefa penosa, mas não vou ser jovem para sempre, este é um bom momento para encarar a vida...
abril 18, 2009
meu caderninho de vergonhas

abril 04, 2009
carta a um ex amor
O que pode gerar uma carta a um ex amor, a quem recorda as suas delícias inesquecíveis? Era uma carta meiga sim, sem intenções explicitas inicialmente, apenas se comunicar. Mas em desespero contido, sim aspirando uma definitiva ruptura, secretamente rogando indiretamente ao deus destino que alijasse daquele sentimento cada vez mais inominável e fugaz.Esscrita em 22 de fevereiro de 2008
É plausível se dialogar sobre o fim? se reflete sobre o fim? que finalidade? Não seria melhor simplesmente seguir em frente sem mergulhar a calda do rio quase no fim da travessia? Infortúnio? Olhar pra trás e virar estátua de sal. Para que prorrogar um mal estar? Há males que vem para o bem.
O pior é ter as palavras distorcidas. Ou eu não sei mais escrever ou ele não sabe ler, das duas uma, apenas uma. "Não coloque palavras na minha boca, nem mulheres na minha vida nem maridos e esposas" uma letra que faz sentido para mim.
No fim depois do diálogo inteiro tenho agradecimentos a fazer: a bruxa Ana pelos florais que deram eixo e visão extra (seja lá o que eu vi); a minha mãe pelas orações e pragas; ao I ching pelo conselho-aviso sobre eu estar caçando no campo errado; e principalmente estou grata à ilusão de ter visto a pomba gira rondando o cara e ter fugido covardemente.
Agradeço também ao destino por não ter ido a uma certa festa em dezembro, preferiria entrar no ninho de najas. Agradeço ter tido juízo e ter saído sempre na hora certa da sua companhia; a solidão me cai bem. Agradeço também as mulheres que por último se tornaram suas companheiras que me livraram do seu ego vaidoso e presunçoso, dos seus equívocos reincidentes. Elas me livraram, especialmente, de te achar engraçadinho que cansaaaa demais.
As vezes suas saídas eram geniais, mas eram muito raras, raras demais para apostar em segurar vela, que idéia descabida!!! Prefiro segurar um fio desencapado,,, Pare de se achar, rapaz.
Respiro agora livremente, em meu sorriso não pesa a saudade e nem a inveja. A solidão me cai bem... Doravante não vou perder mais meu tempo nem tomar ou desperdiçar o dele também, pois ninguém merece.
Me torno doravante uma máquina celibatária involuntária até que outro engraçadinho apareça...
visite comunidade no orkut: celibatários involuntários
abril 01, 2009
Aqueles belos olhos se tornariam braços?
Aqueles belos olhos se tornariam braços? Lábios? Fluidos? e pernas?
Mãos de outros, muitas mãos tentaram me prender, mil mãos e braços me abafando. Sou descrente de quem me prende quando estou de passagem ou quando quero pensar. No meio disso, não estou realmente livre ...no entanto não tenho aonde me sinta acolhida, não tenho lugar. Durmo toda noite no sofá, acordo de madrugada. Perdi o sorriso que eu tinha readquirido, perdi um pouco o rumo, mas eu sei...
Disse Baudelaire a sua passante;
"(...) olhar me fez renascer de repente, Só te verei um dia e já na eternidade?
Bem longe, tarde, além, jamais provavelmente! Não sabes aonde vou, eu não sei aonde vais, Tu que eu teria amado - e o sabias demais!
fevereiro 28, 2009
Sobre o perdão ou não, melhor o esquecimento
‑ Você está morto. Eu te matei.
O cara pior ainda retruca:
‑ Hum, hum (balançando a cabeça negativamente). Estou vivinho no teu desejo de me matar novamente,,,
Seria um momento oportuno para Nancy Sinatra cantar: “My baby shot me down, bang bang...”. Mas o cara pior ainda, mais do que entediado pergunta:
- Quantas vezes terei de morrer para me livrar de você, você me cansa?
A trilha sonora transtorna-se de repente " China canta:
"A partir de agora tudo é mais claro pra mim. Agora percebi que vc não passa de um espaço aberto na multidão. Eu não vou mais te procurar... [mas] eu vou seguindo, colocando sal nas feridas,,, vc vai sumindo, desaparecendo feito foto velha".
Antes que amúsica termine, o cara mau se torna pior ainda, acende um cigarro e diz cantando outra música do China:
_ Por hj vc não morre mas amanhã quem sabe...
Eu escrevi o diálogo acima inspirada em dois contos, o primeiro de Wilson Bueno sobre duas cobras autênticas que se encontram uma simpática perguntadeira e uma meio blasé, resignada na sua condição de cobra venenosa. Sem demonstrar simpatia esta se mantinha cobra, em plena pose a cobra fingida nhacc nela. Ela só queria muito mostrar de antemão quão cobra ela era,,,, e depois vi que por inversão meu textinho relaciona-se ao conto de Caim e Abel de Jorge Luis Borges, neste os dois irmãos se perdoam, como deveria ser, afinal.
“Caim e Abel encontraram-se depois da morte de Abel. Caminham pelo deserto e reconheceram-se de longe, porque os dois eram muito altos. Os irmãos sentaram-se na terra, acenderam um fogo e comeram. Guardavam silêncio, à maneira das pessoas cansadas quando declina o dia. No céu assomava uma estrela que ainda não tinha recebido seu nome.
À luz das chamas, Caim percebeu na testa de Abel a marca da pedra e deixou cair o pão que estava prestes a levar à boca e pediu que lhe fosse perdoado seu crime.
- Tu me mataste ou eu te matei? – Abel respondeu.
– Já não me lembro; aqui estamos juntos como antes.
- Agora sei que me perdoaste de verdade – disse Caim – porque esquecer é perdoar. Procurarei também esquecer.
- É assim mesmo – Abel falou devagar. - Enquanto dura o remorso, dura a culpa”.
fevereiro 24, 2009
só não quero deixar nada pra depois
"Quero esquecer da vida pra viver o amor, ..., não precisa dizer nada pra não se arrepender, tem certos momentos na vida que o silêncio é melhor,..., peça pra que o dia não chegue pois vc me encontrou, esta noite vc vai ter que ser minha... nem que seja desta vez e nunca mais... só não quero deixar nada pra depois ..."Não sinto tédio, lembro dos rádios tocando nas cozinhas, das fotonovelas com galãs italianos, dos parques de diversão na periferia, seus carrocéis e rodas gigantes, das músicas dedicadas pelo alto-falante,,, as músicas provocam meu riso solitário, meu canto divertido, me recordam minha origem (deslocada). Provocam o esquecimento do que preciso esquecer urgente...
Hoje é terça de carnaval, tenho que trabalhar e fico ouvindo Diana e Odair José...
fevereiro 22, 2009
fevereiro 01, 2009
Parábola dificil de escrever ...
Perguntei ao oráculo se devo prosseguir com o retorno ensaiado, ele disse primeiro que devo me desarmar, descer da montanha, contudo o movimento em direção a união deve ter as regras claras. As coisas em seu lugar, os nomes próprios das pessoas e cada qual no seu lugar próprio. Pois sem retidão no final pode ocorrer um desastre. ...
Meu coração diz que não, não, não, não há clareza suficiente; não é hora, e pode ser que o momento tenha sido perdido para sempre...
Sentença: "A União entre os Homens, às claras, traz sucesso. É propício atravessar a grande água. O homem superior sabe que não pode relaxar sua retidão."
Comentário: "Alguma coisa suave tem poder de influência (linha fraca no lugar central) e responde à força criadora (linha forte e central do Criador). Isto quer dizer: 'A União entre os Homens, às claras, traz sucesso'. O trigrama indicando beleza e claridade é apoiado por aquele que representa a força: este é o trabalho do princípio criativo. A linha central do Criador simboliza o sábio. Só ele pode compreender e influenciar a vontade de todos os povos da Terra."
Imagem: "O Céu e o fogo juntos formam a União entre os Homens. De acordo com isso, o homem superior estrutura a sociedade e distingue as coisas conforme suas espécies e classes."
janeiro 08, 2009
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos ...
isto é carência.
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar... isto é saudade.
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos... isto é equilíbrio.
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida... isto é um princípio da natureza.
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... Isto é circunstância.
Solidão é muito mais do que isto.
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma.
Francisco Buarque de Holanda
dezembro 19, 2008
dezembro 17, 2008
"I share an empty balloon with the shadows..."
dezembro 07, 2008
dezembro 03, 2008
Amor "eu não te conheço"
Jack diz a Marion “Eu não te conheço”. Antes disso Marion entra em sua casa em Paris com seu gato no colo. Eles ficaram distantes todo o dia por causa de uma briga (ela faz uma cena histérica num bar com um ex-namorado, ele tem ciúmes e está deslocado - Jack fica meio a parte da língua francesa, dos ex-namorados dela, etc).
Marion narra:
“Para resumir a história. Não é fácil estar num relacionamento. Especialmente conhecer verdadeiramente a outra pessoa. Jack percebeu que depois de 2 anos de relacionamento não me conhecia, nem eu o conhecia”.
Jack e Marion por minutos confessam seus temores e dificuldades na relação e Marion continua narrando:
“Então ele disse algo que me magoou. Seu tom mudou drasticamente. Eu não entendi muito bem o que ele quis dizer, mas supus que ele quis dizer que não me amava mais e que queria terminar tudo.”
“Sempre me fascinou como as pessoas passam do amor incondicional a nada, nada... doeu muito. Sempre que percebo que alguém vai me deixar, tenho o impulso de terminar primeiro só para não ouvir tudo que vai ser dito.”
“Aí está ele um a mais, um a menos, outra história de amor desperdiçada. Eu realmente gostei desta história.” Marion continua relatando: quando tudo termina, nunca mais vemos a pessoa deste jeito (próximo, íntimo). Mais cedo ou mais tarde, o casal vai se esbarrar e se comportar como se nunca estivesse ficado juntos, talvez cada qual em um novo relacionamento, pensando um no outro cada vez menos e menos, até esquecer completamente.
“Para mim é sempre a mesma coisa, terminar, acabar, beber, sair por aí, conhecer um cara aqui outro ali, transar para esquecer o amor. Alguns meses de vazio completo. Procurar desesperadamente um amor verdadeiro, pensar que encontrou até que este acabe também”.
novembro 28, 2008
Amor ,"a vingança nunca é plena"
Fui diagnosticada como compulsiva incurável. Minha compulsão se manifesta pelo excesso de trabalho (que desenfreado é maldição e desejo de esquecer quem somos), de paixão e de sexo (quase perdendo a cabeça), ainda de ingestão de bebida e de comida, com tempo, energia e eventualmente dinheiro desperdiçados em cada uma dessas funções. Ah! para meu bem estas coisas não acontecem ao mesmo tempo.
Em rupturas afetivas reicindem os passos, tais como foram designados nesta fórmula de José Gil: AMOR → dor da não reciprocidade afetiva → sofrimento-ressentimento → inveja → vingança (mau-olhado, vendeta). Na raiz da palavra inveja já contém o olho ruim. Isso não se pode evitar.
Atroz contradição a da inveja, assim como a do ciúme, nascem do amor e matam o amor, digo recorrendo a uma frase de Simone de Beauvoir. O ciúme e a inveja interrompem o fluxo de afeto. Pois é, não é demais repetir:
“Ciúme é o acúmulo de dúvida, incerteza de si mesmo, projetado. Assim jogado como lama anti-erótica na cara do desejo mais intenso de ficar com a pessoa” (Katia B).
A minha experiência não ocorre exatamente na ordem da fórmula de José Gil e, quase sempre é interrompida antes de chegar ao ponto da vingança. Se por acaso, o quebranto se realiza vem muito tarde, vem depois do esquecimento. Mas não antes de ter me envenenado a alma. Seu Madruga está certo: "A vingança nunca é plena, mata a alma e envenena".
No entanto o mundo continua esvaziado, nem o sexo nem a bebida substituem o tédio e sua insipidez; amenizam a cólera (ímpeto violento), o ódio (paixão que impele desejar mal a alguém), a raiva (aversão) e o ressentimento (mágoa).
A cólera em mim é passageira e sempre deixa estragos; o ódio vem lento, porém não fica muito tempo. A raiva dura mais ora transmuta em mágoa ora em pasmo. Pasmar tem a ver com admirar (olho bom), mas também com inércia e assombro. Ocorre-me nesta fase mais nos aspectos negativos. Com o tempo a raiva também se dissipa não em esquecimento. Não tenho a qualidade de não ser ressentida, não sou um ser nietzscheano e sou mulher. “A mulher aprende a odiar na medida em que desaprende encantar.” Estou me aproximando da fase em que se perde o encanto. Conheço mesmo um homem que diria que este tempo já chegou. É o objeto do meu atual mal estar.
Sou ressentida sim, contudo, não em tempo integral. Me divirto nos dias de festa, no meio da multidão esqueço. Em todo caso, não esquecer por completo é precaução para não cair nas mesmas ciladas de sempre. Ai quem me dera, não reincidisse. Estaria agora fazendo um hino a Dionísio ou a Bob Dylan oua Benicio Del Toro em vez de cismar (obsessivamente) porque me meto nestas situações.
Um cara nada ressentido como Bob Marley fala da crueldade de um homem despertar o amor de uma mulher sem a intenção de corresponder-lhe. Mário Quintana por outro lado diz o oposto: A coisa mais cruel que se pode fazer é se permitir apaixonar por alguém quando este alguém não pretende fazer o mesmo. Não foi por falta de aviso, é certo. Contudo, eu também avisei que não tinha nada menos do que todo meu amor para dar. A mágoa maior nem é perder o amor é não poder mais nunca mais confiar na pessoa.
Devia me perguntar todo dia “o que eu estou ajudando a fazer de mim mesma?”. Porque deixei esta lama anti-erótica me cobrir novamente (leva anos para sair), quando foi que esqueci o desejo por causa do apego, porque razão eu abri mão do prazer e do gozo para ficar batendo a cabeça na parede. Porque cheguei até aqui tão íntima do rancor, da mágoa e do ressentimento e tão longe do amor.
Vendeta: é uma sequência de ações e contra-ações motivadas por vingança que duram anos, foi habitual em grupos do mediterrâneo.
Referências:
Metafenomenologia da inveja: magia e política de José Gil. In. Nietzsche e Deleuze, Bábaros e Civilizados. Organizado por Daniel Lins e Peter Pal Pelbart. Ed. AnnaBlume.
Imagens de Foucault e Deleuze. Rago, Margareth et al (org)
novembro 26, 2008
...
faltando a compromissos não muito importantes e por ai vai. A vida é chata mas é vida...
novembro 08, 2008
Espelho na desordem do mundo
Texto da peça : Patrícia Melo Direção: Aderbal Freire Filho Elenco: Drica Moraes

novembro 02, 2008
Estados de ânimo 2

outubro 29, 2008
Duas ou três coisas que eu sei sobre mim
Inspirada no cineasta iraniano Abbas Kiarostami (finalmente me afasto da linha do diário de Bridget Jones 1). E também pensando na frase de Gadamer que “não conhecemos a nós mesmos”, minhas últimas experiências me comprovam isso relativamente a mim, evidentemente. Fiz uma listinha provisória (claro) de duas ou três coisas mais ou menos, que eu sei sobre mim:outubro 25, 2008
Oração
Meu Deus me dê vergonha na cara. Não por orgulho que é oco. Não pela vaidade que é inútil. Nem pelo medo do vexame, pois este foi inevitável.
Eu já levei todos os foras, já tomei todos os gelos, que sou capaz de assimilar. Mandaram-me ser feliz bem longe, cá onde estou. A recorrente mão estendida no ar , eu sei que é um sintoma que se compraz na rejeição. Isso me obscurece a vista e enfeia o mundo, me mata o desejo, aniquila minhas ilusões, que para mim equivalem à fé. Cada sensação desta condição deve ser mais um pecado computado à minha conta (bem alta por sinal).
Pois se sou eu o erro e a errada, Deus, eu não te peço muito, devolva-me a lucidez ou me premie com o esquecimento. Quero fazer jus a ser sua criatura, Quero de novo a volúpia dos dias de sol.
Se se pode reconhecer a essência de todos os seres no céu e na terra pelas atrações que exercem, o que dão a saber as rejeições ?
outubro 24, 2008
outubro 17, 2008
Historinha infantil
Á Socrates, velho esperto, pois nunca lhe faltaram amigos e amantes Um dos seus amores era vazio como um ator de fotonovela “Sétimo Céu”, mas tinha os olhos azuis, mais tarde, ela chegou a conclusão de que tinha amado um personagem, quem não fez isso? Talvez seja sempre isso mesmo que acontece quando se ama, dada a incomunicabilidade e a intradutibilidade entre gestos, palavras, atos e coisas dos humanos.
Um dos seus amores era um cara que dizia amar a verdade. É certo que ele sempre foi extremamente sincero. Mas ele colocava um espelho na frente das palavras que ela dizia, e as palavras, ou mais precisamente, seus sentidos, retornavam vazios, inúteis e invertidos muitas vezes retorcidos ... Tal como Sócrates que condenava a tragédia e defendia a verdade, que condenava os sofistas e fazia a mesma operação, esvaziando o mito, usando-o para seu benefício próprio, identificando o desejo como a falta, fazendo de Eros um simples amigo e da beleza numa idéia... Contudo isso, ela amou este homem, não um personagem. Enfim, esta história mais pareceu a história de dois cometas desgovernados que se trombaram por acaso no universo e por um tempo percorreram perfilados no espaço. Então cada qual seguiu seguiu seu caminho na imensidão, como era de se esperar.
outubro 16, 2008
Só Deixo Meu Coração Na Mão de Quem Pode
Katia B
Trilha sonora do filme “Não por acaso”
Vi este filme. A trilha sonora é muito legal, tem Nazi e Fausto Fawcett, esta letra expressa um desejo de ser tão boa quanto...
Só deixo meu coração na mão de quem pode
Fazer da minha alma suporte para uma vida insinuante
Insinuante anti tudo que não possa ser
Bossa Nova Hard Core
Bossa Nova Nota Dez
Quero dizer, eu to pra tudo nesse mundo
Então, só vou deixar meu coração, a alma do meu corpo, na mão de quem pode
Na mão de quem pode e absorve
Tanto no céu que no inferno
Inspiração de Mutação
Da vagabunda intenção
De se jogar na dança absoluta da matança do que é tédio, conformismo, aceitação
E eu fico aqui vou te levando nessa dança
Sobre o mundo Pode tudo do amor Pode tudo do amor
Porque eu não quero teu ciúme que é o cúmulo
Ciúme é o acúmulo de dúvida, incerteza de si mesmo, projetado
Assim jogado como lama anti-erótica na cara do desejo mais intenso de ficar com a pessoa
Eu não to a toa
Eu sou muito boa
Eu sou muito boa pra vida
Eu sou a vida oferecida como dança
E eu não quero “te dar gelo”
Diabos que o carregue
Vê se aprende, se desprende
Vem pra mim que sou a esfinge do amor
Te sussurrando Decifra-me, decifra-me
Refrão
Só deixo minha alma, só deixo o coração
Só deixo minha alma na mão de quem pode
– voz masculina –vê se aprende, se desprende——————-
Só deixo minha alma, só deixo meu coração
Na mão de quem ama solto!
outubro 10, 2008
“My Blueberry Nights”
outubro 01, 2008
It's funny how life has a life of its own
Woody Allen in Cassandra's dream.
setembro 24, 2008
Se eu fosse menos desmedida e menos desnecessária
Em meu coração só passariam sentimentos sãos. Eu seria caridosa e menos arrogante. Só faria bondade a pessoas merecedoras. Nunca seria condescendente com os incompetentes e os incapazes. A contragosto deixaria de ser impiedosa com quem me apurrinha demais da conta. Não erraria sem rumo em busca de ser feliz. Teria planos bem feitos, passados a limpo e projetos executados. Nunca dormiria sem tomar banho. Meu cheirinho seria sempre bom. Seria rica, rodeada de amigos francos. Dançaria no quadro primavera de Botticelli, sem nunca ficar velha, nem gorda e nem feia.

setembro 22, 2008
Quando você não está por perto Meu mundo é um deserto no frio
Falar bem perto do seu ouvido
Decifrar tua alma e os gemidos
Temos tempo pra viver
Quero descobrir o amor de novo
Encontrar em alguém o que eu procuro
Livrar o amor do escuro
E destruir o muro
Que cerca meu coração
A vida me sorriu, permitiu você nascer
Estrela pra dar sorte
Por tudo que a gente fez
É pura tua luz, teu rosto, teu olhar
Quando você está longe
A mim só resta lembrar
Quando você não está por perto Meu mundo é um deserto no frio*
*o nome da música é "Quando você não está por perto" de Guto Goffi/Roberto Frejat
setembro 17, 2008
setembro 10, 2008
8 decisões para levar o momento seguidas de comentários do I Ching
1- Ter intransigência comigo mesma (conter e nutrir);
2- Cumprir minhas tarefas iminentes (hora de planejar, isso requer solidão, reunir forças para realizar o trabalho);
3- Pacto de silêncio (manter a quietude e o recolhimento);
4- Não procurar por ele em nenhum dos mundos conhecidos ou desconhecidos nem terreno, nem extraterreno, nem virtual (conter e manter-me quieta);
5- Não adoecer (não me afligir por causa da solidão);
6- Tentar me curar (esforço moral para manter a ordem);
7- Esquecer (renunciar);
8- Não me esquecer de respirar (calma interior e adaptação às circunstâncias).
Escrito numa noite de insônia.
setembro 08, 2008
"Esta história, este episódio, esta aventura dê a ela o nome que quiser".
"Esta história, este episódio, esta aventura dê a ela o nome que quiser".
Pois é esta frase de Conrad, me aproprio dela doravante, se coloca no sentido de abrir mão de categorias, que me importa mesmo agora que acabou.
setembro 06, 2008
setembro 02, 2008
Estado de ânimo que vem e vai
julho 22, 2008
Otto canta (e eu não páro de ouvir, fiz uma mudança no final,,,)
Composição: Erasmo Carlos / Ronnie Von
















