julho 19, 2010

Angelus caído e o espelho mágico

Minha alma de criança chora - eu que disse que não tinha sido uma criança feliz!
Uma criança de quarenta, inábil, incapaz para vida prática e pragmática, que sente vergonha de sua moratória interminável.
Essa minha alma de criança se parece com o angelus de Benjamin - enquanto o anjo olha para tras melancólico, ventos fortes o atiram em direção à vida adulta.
Não posso mais delirar, só me era possível quando meu corpo era jovem e são.
No espelho vejo uma pessoa cada dia mais velha e no cotidiano convivo com algumas pessoas adultas consideradas muito racionais. muito razoáveis e bem sucedidas que não passam de crianças indóceis, pirracentas, impertinentes, intratáveis.
Finalmente sou adulta, me sinto adulta por contraste. Se eles são infantis eu não sou.
Ah! mundo de espelhos invertidos, diria Foucault!

Um comentário:

Iolanda disse...

Clara! É uma estranha sensação, assim me sinto:

(...)A criança que fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.
(...)
F. Pessoa
Gostei do seu blogger, te reconheço!?
Iolanda