dezembro 31, 2009

Seria uma sereia ou seria Só

Eu sou uma sereia fora de forma, pois desde de Ulisses na Odisseia estou por aí. Enquanto Penépole tecia eu nadava. Isso faz tempo. E desde então como as baleias não achei meu lugar no mundo. Lulu Santos fez uma música para mim: "clara como a luz do sol, estrela do oriente nesses mares do sul"; os caras do clube da esquina tbm: "clara estrela". Grãozinho de areia que olhou pro céu viu uma estrela e sonhou coisas de amor, será este meu destino?

video

dezembro 19, 2009

o carro velho, a motorista que não sabia dirigir e a passageira que não conseguia desembarcar

Estou numa fase em que pratico da idéia que minha opinião não é tão importante assim, mas não me calo o suficiente. Ainda verto palavras desnecessárias. Falo, falo, faço discurso, julgo, absolvo, reclamo, emito indulgências, auto-indulgências, e falo e digo, critico, avalio, condeno e assim por diante. Algumas vezes faz diferença, poucas vezes. Ah, quando é a hora do silêncio?
Recuperei o apreço por Charles Bukowski e isso vai me custar 200 reais. Quase tudo me custa muito. Será que sou eu que transformo tudo neste tipo de valor para que eu pague o preço? Sei lá
Mas já sei o que significa aquele sonho do carro meio quebrado descendo a ladeira com uma motorista velha que não sabe dirigir direito e que não para quando eu solicito. O carro continua, não está desembestado, apenas não pára. Até que num ponto adiante vejo algumas alunas e peço de novo que pare. Como não fui atendida eu desço do carro em movimento. A motorista reclama, ei não vai pagar não?!!! Embora tenha o dinheiro para pagar 7 reais, não pago. Hum?!
A vida não para e no momento eu não dirijo. Sigo, alguém sempre me leva, porém nem sempre quero ir. Na verdade as vezes quero apenas ficar um pouco mais, contudo sou obrigada a seguir pois minha vontade não conta. Sigo sem querer e alguém ainda me cobra o preço, deve ser isso não?? Só que daquela vez eu não paguei, era um sonho.

novembro 17, 2009

O que diria a menina que eu fui, se me visse hoje?

O que diria a menina que eu fui, se me visse hoje?
Contando segredos a motoristas de taxi... Psicólogos, eu pago regiamente. Tendo como deus mais gentil um blog, e felinos de verdade como companheiros. Despreparada para o amor.
Já não choro por amor, choro quando um homem desvanece, choro em enterros de homens sólidos, daqueles cuja fundação era de pedra. Nosso tempo é aquele que devemos edificar na areia, acreditando ser pedra como diz Borges.
Estou, sempre que posso, tentando despertar a deusa que mora em mim. Mas fica cada vez mais caro o projeto bonita.
Espero ainda o tempo de chegar até mim mesma, mas estou sempre adiando, adiando este momento. Chegar até mim, é o que eu chamo de me tornar sábia. Ando traindo a minha via por nada, nadinha mesmo. Há tempos isso acontece.
Nunca fiz muitos planos, sempre segui um dia de cada vez. As coisas mudam. Tem uma estranha que me olha no espelho agora. Ela é toda diferente, não é mais deslumbrada, quase não sorri, chega a ser monótona. Eu a tolero desde que volte a dançar.
Quem disse que a mudança dói na adolescência, a gente muda o tempo todo, Platão. O devir é inevitável, podemos fingir que não vem. A cada dia, amadurecemos, oxidamos, entortamos, talhamos, etc. e um dia tudo acaba.
O que eu menina pensava sobre uma mulher como sou eu hoje?
A petulância dela me fez ser assim, quase impossível, “ferrada” e um sucesso ao mesmo tempo. Triste e sonhadora, carente e auto-suficiente “afetiva” (quem me dera, mas é algo assim), memoriosa e indiferente, quente e fria. Doce até não poder mais. Eu sei, saiba também, este dia sempre chega, o dia de não poder ser mais doce.
A curiosidade dela nunca morre. O sorriso está mais difícil do que nunca. A curiosidade dela me faz ir ao horizonte. Não, não busco a verdade nem a beleza, sempre busquei foi o encanto. Não temo o canto das sereias... A paixão pelo encanto foi o que a menina que eu fui me deu de presente.

outubro 22, 2009

O inferno tem muitas portas

To escrevendo sobre visões do inferno, só frases de memória:
“É preciso ser homem de bem mesmo no inferno”, “mesmo no inferno há ar para respirar” de Adorno.
“O inferno tem muitas portas algumas são bem conhecidas outras são mais disfarçadas, entenda-se com suas pernas" de Akira S,,,
Mas o que eu enfrento mesmo é o inferno aqui dentro, o tédio. Eu me faço perguntas. Se aquilo era o inferno, por que a falta, não pode ser falta.
Benjamin diz que no tédio se choca o ovo da experiência, e eu que nunca chego lá...todo dia refazendo e fazendo as mesmas coisas que consomem, meninos que se desarrumam, logo depois de vestidos e penteados, pensamentos que se desfazem no diálogo seguinte.
Falo em considerar todos os fatores na análise, mas não dá tempo, a pressa do dia a dia, não consigo ter respostas para as falas agressivas e reativas. Eu nunca fico pronta...
Aquela frase de que as pessoas do inferno são mais divertidas e o céu tem melhor temperatura. Fico pensando que lá no inferno estão as pessoas desagradáveis, cruéis, rancorosas, golpistas, super-vaidosas, super-sinceras e que todos são churrasquinho também. Num filme de Wood Allen o Diabo tem sala com ar condicionado, claro!!! Prefiro distância das pessoas do inferno por serem insuportáveis e das do céu por serem chatas. Será que haverá outro lugar pra ir?
Prefiro aqui como está e como estou...

setembro 24, 2009

Infâmias da solidão

Dentre as possibilidades dos sites de relacionamento está acompanhar a vida do ex, que seja ex (ex-alguma coisa ele é), como se fosse uma novela. Só que uma novela ruim e com final previsível.
A bisbilhotice (mesmo virtual) é nefasta, inútil, um desperdício mesmo. Um tédio comparsa da solidão! Infame solidão! Não que eu não tenha o que fazer. Mas a falta que faz esse assunto, que coisa. Não sou mais uma piscopata que persegue o amado. Fico a uma distância regulamentar. Mas o amor diz Bukowski é mesmo um "cão do inferno", mesmo quando morre continua rosnando. Bukoswki, as vezes consegue não ser interessante, mas seu bom senso me apazigua.

"A escrita - Charles Bukowski (O amor é um cão do inferno)
algumas vezes é a única coisa entre ti e a impossibilidade. nem a bebida, nem o amor de uma mulher,nem a saúde se comparam a ela. nada te pode salvar excepto a escrita. impede as paredes de ruir. o canalha de se aproximar. expulsa a escuridão.
a escrita é o derradeiro psiquiatra, o mais gentil deus de todos os deuses.
a escrita afasta a morte. nunca te abandona. e a escrita ri-se dela própria, da dor. é a última esperança, e a última explicação.
é isso que é."

agosto 30, 2009

Gatos atropelados

De vez em quando, penso que eu venha agradecer aos homens que passaram por mim atropelando, "me deixando de lado". Os tais que me trataram como um vento que passou (da música mulher sem razão): o que não me mata me deixa mais forte dizem por ai. Sei reconhecer um gato atropelado a distância e logo penso em levar para casa. Inútil, ele fica bom e foge. São quase três anos de solidão nos entremeios.
Reconheço tortos e aleijados de alma por que eu mesma convalesço disso. Meu couro está curtido, vejo tudo claramente, muito embora, tenho que admitir que seja a solidão que traga esta clareza. Quando aparecer alguém, irei continuar assim?
Meu couro está curtido, mas minhas pernas dobram-se ao peso da dor. Sinto que vou quebrar ao meio, ainda a mesma dor. De que adianta ver mais do que outros se minhas pernas não alcançam o horizonte? Se quando faz muito frio, eu tenha que conversar com felinos que nunca tomam banho?
Esses gatos me aquecem. Aprendi com eles o melhor modo de ficar junto, só que os companheiros humanos não perceberam. Nem todos estão preparados para o afeto, nem eu.

agosto 28, 2009

"Cuide de Você"

Me apaixonei pelo trabalho “prenez soin de vous” ou "Cuide de Você" de Sophie Calle, tem a ver com este blog desde setembro de 2008. As rupturas nos tornam clarividentes, pois, os campos se tornam mais verdes como disse Fernando Pessoa. Tudo se esclarece, fica "mais de verdade", fica mais nítido, cada contorno, cada fato e seus desdobramentos entram em análise. E nos cremos sapientes das causas, mesmo que não importem mais. Do modo como Sophie Calle fez ela não engoliu seco e ainda partilhou, socializou. E "ele" simplesmente virou "picadinho" no esquadrinhamento epistêmico, sentimental, disciplinar feminino, se acabou nos despachos, nos descarregos e nas catarses: ele que se achava tanto vai pensar duas vezes antes de "se achar" ... talvez ela também tenha dificuldade de namorar um outro igual a este...



""Esse trabalho inicia-se quando Sophie teve um relacionamento amoroso rompido por email, que terminava com a frase “prenez soin de vous” (cuide-se). Sem saber como responder a essa mensagem e a essa situação, ela resolveu seguir o conselho de uma amiga de fazer um trabalho de arte e utilizou para isso a própria mensagem. Gravou em vídeo mais de cem pessoas lendo o email e fazendo comentários. Entre as “leitoras” estão a mãe da artista, as atrizes Jeanne Moreau e Vitoria Abril, a compositora Laurie Anderson, a DJ Miss Kittin, entre outros.

Ela enviou o texto do email para um advogado forense, uma lingüista, uma taróloga, uma juíza especialista nos direitos femininos, entre outros, e pediu a todos que o texto fosse analisado segundo o filtro de cada especialidade. E esse material compõe a instalação.

Para Sophie, “é mais fácil realizar um projeto quando sofremos do que quando estamos felizes. Não sei o que prefiro: se é estar feliz com um homem ou fazer uma boa exposição”. Seus trabalhos são acompanhados da escrita, seja no título, na legenda ou em narrativas, e são parte integrante da obra. Como disse a crítica francesa Cécile Camart, “a dimensão narrativa de suas instalações, misturando fotografia, textos e objetos, encontra sua filiação histórica na primeira metade da década de 70, em que jovens artistas como Christian Boltanski (”Récit-Souvenir”, 1971), Didier Bay (”Mon Quartier Vu de Ma Fenêtre”, 1969-1973) e Jean Le Gac (”Anecdotes”, 1974) propuseram uma ‘arte narrativa’, uma arte das pessoas, das coisas e das situações, que abrange um vasto leque da vida cotidiana real ou imaginária”."
ver em um artigo publicado em Publicado em 13 de março de 2009:
http://anodafrancanobrasil.cultura.gov.br/br/2009/03/13/exposicao-prenez-soin-de-vous-de-sophie-calle/

julho 23, 2009

A dieta do pensamento

N a leitura do livro “A cozinha do pensamento” de Josep Munoz Redón encontrei algo de estou necessitando muito, tanto no que diz respeito ao corpo quanto à mente. Um conselho de Soren Kierkegaard sobre uma dieta de baixas calorias.
“Quando um homem tem a boca cheia de comida, impedindo-lhe comer (...) como se conseguirá fazê-lo comer: enchendo-lhe a boca ou tirando um pouco de comida? Do mesmo modo, quando um homem sabe muito, quando sua sabedoria tem nenhuma importância para ele ou age como se não se importasse nem um pouco, o que é razoável: levar-lhe mais conhecimento ainda, (...), ou tirar-lhe um pouco?”
Redón diz que a dieta do pensamento recomenda assim, que não comer é a única maneira de continuar comendo. Com a boca cheia não se pode comer, assim como com o cérebro embutido de idéias não se pode pensar.
Kant diz algo semelhante, sobre a necessidade da pausa: “A mente se nega, de certo modo, a continuar trabalhando, mas permite ocupar-se de outras coisas. Perceber isso é parte da dieta do pensamento”.
A cozinha do pensamento: um convite para compartilhar uma boa mesa com filosofos. Josep Munoz Redon. Ed. SENAC

julho 14, 2009

Avulsa(s)

Avulsa social, prisioneira institucional, perdida profissional, escrava do tempo real, caótica organizacional, carente afetiva, mãe que deve tempo, atenção. Culpada. Devo muito mais a mim mesma do que ao cartão de crédito e ao banco (certamente esta conta não vou acertar)... Trabalhadora procrastinante, adiando a tarefa mais importante em função das rotinas emergentes, adiando o amor, adiando a viagem dos sonhos, adiando a leitura programada, a pesquisa necessária, adiando recomeçar, adiando as entregas...

Nas missões jesuíticas (séc. XVI-XVII) as mulheres não podiam ficar avulsas, foi concebido um edificio especialmente para elas. Uma das aplicações do panóptico de Benthan era "abrigar" mães solteiras, tal como prisioneiros(as)...

julho 10, 2009

Todo anjo é terrível


"Todo anjo é terrível. Mesmo assim - ai de mim - vos invoco, pássaros quase fatais da alma sabendo quem sois."(...) Rilke
“É preciso conceber ou imaginar como voa e se desloca Hermes, quando ele transporta as mensagens que lhe confiam os deuses – ou como viajam os anjos. E, para tanto, escrever os objetos que se situam entre as coisas já observadas, espaços de interferência (...).
Esse deus ou esses anjos passam no tempo dobrado, daí surgindo milhões de conexões. A preposição ‘entre’ sempre me pareceu e continua parecendo para mim uma preposição de importância capital” Michel Serres

junho 28, 2009

Michael Jackson: estranhamente familiar


Esquisito de se ver, um efeminado esbranquiçado. Dizem que era frágil, frágil, vozinha fraca quando falava e que crescia no palco. Grande criador de gestos, passos de dança, letras e músicas. Outro monstro bizarro que não cabia no mundo dos normais demais. Eu compreendi isso, porque também sou monstra. Não gostava da maioria de suas músicas (demasiado pop? sei lá porque), mas admirava sua dança. Ele tinha o direito a ser da cor e do gênero que bem entendesse, desde que não invadisse sonhos alheios ou os limites alheios. Aos meus 10 anos ouvia Ben, e entronizou em mim, Ben...

"(...)
Ben, most people would turn you away
(Turn you away)
I don't listen to a word they say
(A word the say)
They don't see you as I do
I wish they would try to
I'm sure they'd think again
If they had a friend like Ben
(A friend)
Like Ben
(...)".

junho 04, 2009

eu gosto de ...

Eu gosto de rir com vontade de rir. Gosto de ter esperanças, gosto de crianças, de bichos, de nadar, de areia da praia, de vento e maresia, de florestas, de espaço, de coisas muito usadas, das marcas do tempo nas coisas, das marcas do tempo no rosto das pessoas, de salada, de sopa, enfim, de comida quente e de cerveja gelada. Pois, vinho eu amo. Adoro praças cheias de gente, gosto de falar, interrompo, mas sinceramente não gosto quando faço isso.

Gosto do outono, do inverno e da primavera, só gosto do verão em dias de chuva rala e dos seus fins de tarde depois das 18 horas à beira mar. Gosto de Itaúnas, do centro de Vitória, de São Paulo, do centro do Rio de Janeiro, de Barcelona, de Nova Iorque (nem conheço), gosto de muitos pensadores, gosto de muita gente que já morreu. Gosto de abraço, de carinho de quem eu amo, que me passem a mão nos cabelos, de massagem. Gosto de montanhas e de pedras. Gosto de perfumes e de batons de várias cores, de roupas que se ajustem discretamente ao corpo. Sou fissurada em sapatos e bolsas, confesso que leio Vogue decoração (sou uma perua incubada com certeza)

Amo pessoas que gostam e se dedicam ao seu trabalho, detesto exploração de todo tipo e “puxada” de tapetes. Não gosto de quem conte vantagens ou humilhe os outros o tempo todo nem de quem fala muito alto. Para petulantes gostaria de não ter tempo. Não sei se amo a vida o tanto que deveria (para ter gratidão por esta jornada), mas não quero perder esta oportunidade de jeito nenhum...

maio 26, 2009

prato que se come frio é insosso

Aprendi que não se muda pela simples intenção de mudar, é preciso mais que força de vontade, é preciso muita pertinácia;
Não se esquece alguém porque se quer esquecê-lo, o sentimento, seja o nome que se dê quando se está quase vazio, só vai embora quando finalmente chegou ao fim. O esquecimento ainda não é o fim, esquecer é apenas deixar cair... e demora... é como se fosse na gravidade da lua...
É o tempo sobre o tempo, a vida que segue que permitirá enfim transformá-lo num vácuo; não ter nada a ver. Ao estranhá-lo verdadeiramente eu poderia me sentir livre.
E enfim a vingança, eu sei por que já vivi, como prato que se come frio, completamente insosso, não tem nenhuma graça... é apenas lembrança de um tempo desperdiçado.
Eu preciso apagá-lo de mim, que seja névoa-nada... preciso que não haja mais nenhum sinal do vapor barato que não sabe ser amado.

maio 05, 2009

Uma história romântica

Eu sei uma história de amor, uma história romântica. Sobre um morador de rua que lavava carros na Enseado do Suá. Ele se apaixonou por uma bancária. Ela passava e ele se declarava, sobre como ela era linda e mexia com o coraçãozinho dele.... Isso todo dia, ela paciente, condescendente as vezes sorria, sempre conversava com ele. Todo dia ele esperava ela entrar e sair do trabalho e se declarava...
Então ele sumiu, nos primeiros dias ela se deu conta e ficou na dela. Uma semana foi demais, ela saiu perguntando por ele e ninguém sabia dele nas imediações nem em outras paragens aonde ele poderia estar. Ela mesma saiu procurando pelos terrenos da Enseada do Suá (Vitória, ES) e achou ele morto de frio há quase uma semana num terreno baldio. Ela fez o enterro dele.
Ele não teve uma vida nada digna mas um enterro de um homem que foi amado.

abril 22, 2009

Envelheço na cidade

Quando Deus me fez não nasci de uma costela de macho, nem nasci dos órgãos de meu pai jogados ao mar, provavelmente nasci de sua dor de cabeça que foi obra da minha mãe.
Assim não nasci predestinada a ser par de homem nenhum, sabendo que não seria nem escolhida nem bela, fui à minha a guerra particular, fui a universidade e nunca sai de lá: “eu sempre fui jovem”.
É uma espécie de clausura essa, aonde está o lado de fora? a porta aonde está? que não acho ...
“Envelhecer na cidade” é uma tarefa penosa, mas não vou ser jovem para sempre, este é um bom momento para encarar a vida...

abril 18, 2009

meu caderninho de vergonhas


É uma música do Duo Moviola... não tenho coragem de expor publicamente,,, Mas confesso, como se já não soubessem tudinho por ai...

Meu caderninho de vergonhas tem uma lista interminável de porres e ressacas (...). Tem um monte homens mal beijados (a cada 3 anos), desempenhos sexuais vexaminosos, vergonha, ilusões amorosas, reclamações chorosas, eu no papel de vítima, mal-entendidos, auto-piedade, dinheiro jogado fora, comida desperdiçada, energia desperdiçada, desorganização, enganos, negócios mal feitos, interpretações equivocadas, ações atabalhoadas, camas alheias que nunca devia ter deitado, convites que eu devia ter recusado, convites que eu devia ter aceitado, homens errados, amigos jogados fora, palavras que devia ter dito e não disse, palavras desnecessárias, projetos falhos, crenças ideológicas, manipulações, armadilhas em que cai sabendo, histerias, tergiversações, digressões em excesso, esperanças vãs ...

abril 04, 2009

carta a um ex amor

Esscrita em 22 de fevereiro de 2008

O que pode gerar uma carta a um ex amor, a quem recorda as suas delícias inesquecíveis? Era uma carta meiga sim, sem intenções explicitas inicialmente, apenas se comunicar. Mas em desespero contido, sim aspirando uma definitiva ruptura, secretamente rogando indiretamente ao deus destino que alijasse daquele sentimento cada vez mais inominável e fugaz.
É plausível se dialogar sobre o fim? se reflete sobre o fim? que finalidade? Não seria melhor simplesmente seguir em frente sem mergulhar a calda do rio quase no fim da travessia? Infortúnio? Olhar pra trás e virar estátua de sal. Para que prorrogar um mal estar? Há males que vem para o bem.

O pior é ter as palavras distorcidas. Ou eu não sei mais escrever ou ele não sabe ler, das duas uma, apenas uma. "Não coloque palavras na minha boca, nem mulheres na minha vida nem maridos e esposas" uma letra que faz sentido para mim.

No fim depois do diálogo inteiro tenho agradecimentos a fazer: a bruxa Ana pelos florais que deram eixo e visão extra (seja lá o que eu vi); a minha mãe pelas orações e pragas; ao I ching pelo conselho-aviso sobre eu estar caçando no campo errado; e principalmente estou grata à ilusão de ter visto a pomba gira rondando o cara e ter fugido covardemente.

Agradeço também ao destino por não ter ido a uma certa festa em dezembro, preferiria entrar no ninho de najas. Agradeço ter tido juízo e ter saído sempre na hora certa da sua companhia; a solidão me cai bem. Agradeço também as mulheres que por último se tornaram suas companheiras que me livraram do seu ego vaidoso e presunçoso, dos seus equívocos reincidentes. Elas me livraram, especialmente, de te achar engraçadinho que cansaaaa demais.

As vezes suas saídas eram geniais, mas eram muito raras, raras demais para apostar em segurar vela, que idéia descabida!!! Prefiro segurar um fio desencapado,,, Pare de se achar, rapaz.

Respiro agora livremente, em meu sorriso não pesa a saudade e nem a inveja. A solidão me cai bem... Doravante não vou perder mais meu tempo nem tomar ou desperdiçar o dele também, pois ninguém merece.

Me torno doravante uma máquina celibatária involuntária até que outro engraçadinho apareça...

visite comunidade no orkut: celibatários involuntários

abril 01, 2009

Aqueles belos olhos se tornariam braços?

Foi então que eu esqueci esta história de matar (e esqueci). Decidi fugir... No caminho, encontrei um homem muito moreno de olhos claros, bonito ele era. Meus olhos reconheceram reciprocidade, assim como meu corpo. Mas algo aconteceu e a gente se perdeu.
Aqueles belos olhos se tornariam braços? Lábios? Fluidos? e pernas?
Mãos de outros, muitas mãos tentaram me prender, mil mãos e braços me abafando. Sou descrente de quem me prende quando estou de passagem ou quando quero pensar. No meio disso, não estou realmente livre ...no entanto não tenho aonde me sinta acolhida, não tenho lugar. Durmo toda noite no sofá, acordo de madrugada. Perdi o sorriso que eu tinha readquirido, perdi um pouco o rumo, mas eu sei...


Disse Baudelaire a sua passante;

"(...) olhar me fez renascer de repente, Só te verei um dia e já na eternidade?
Bem longe, tarde, além, jamais provavelmente! Não sabes aonde vou, eu não sei aonde vais, Tu que eu teria amado - e o sabias demais!

fevereiro 28, 2009

Sobre o perdão ou não, melhor o esquecimento

O cara mau topa com o cara pior ainda. Depois do susto perante o inesperado, ele diz para si mesmo: Por que eu não estou surpreso? Então, dirige-se ao outro:
‑ Você está morto. Eu te matei.
O cara pior ainda retruca:
‑ Hum, hum (balançando a cabeça negativamente). Estou vivinho no teu desejo de me matar novamente,,,
Seria um momento oportuno para Nancy Sinatra cantar: “My baby shot me down, bang bang...”. Mas o cara pior ainda, mais do que entediado pergunta:
- Quantas vezes terei de morrer para me livrar de você, você me cansa?
A trilha sonora transtorna-se de repente " China canta:
"A partir de agora tudo é mais claro pra mim. Agora percebi que vc não passa de um espaço aberto na multidão. Eu não vou mais te procurar... [mas] eu vou seguindo, colocando sal nas feridas,,, vc vai sumindo, desaparecendo feito foto velha".
Antes que amúsica termine, o cara mau se torna pior ainda, acende um cigarro e diz cantando outra música do China:
_ Por hj vc não morre mas amanhã quem sabe...

Eu escrevi o diálogo acima inspirada em dois contos, o primeiro de Wilson Bueno sobre duas cobras autênticas que se encontram uma simpática perguntadeira e uma meio blasé, resignada na sua condição de cobra venenosa. Sem demonstrar simpatia esta se mantinha cobra, em plena pose a cobra fingida nhacc nela. Ela só queria muito mostrar de antemão quão cobra ela era,,,, e depois vi que por inversão meu textinho relaciona-se ao conto de Caim e Abel de Jorge Luis Borges, neste os dois irmãos se perdoam, como deveria ser, afinal.

“Caim e Abel encontraram-se depois da morte de Abel. Caminham pelo deserto e reconheceram-se de longe, porque os dois eram muito altos. Os irmãos sentaram-se na terra, acenderam um fogo e comeram. Guardavam silêncio, à maneira das pessoas cansadas quando declina o dia. No céu assomava uma estrela que ainda não tinha recebido seu nome.

À luz das chamas, Caim percebeu na testa de Abel a marca da pedra e deixou cair o pão que estava prestes a levar à boca e pediu que lhe fosse perdoado seu crime.

- Tu me mataste ou eu te matei? – Abel respondeu.

– Já não me lembro; aqui estamos juntos como antes.

- Agora sei que me perdoaste de verdade – disse Caim – porque esquecer é perdoar. Procurarei também esquecer.

- É assim mesmo – Abel falou devagar. - Enquanto dura o remorso, dura a culpa”.

fevereiro 24, 2009

só não quero deixar nada pra depois

"Quero esquecer da vida pra viver o amor, ..., não precisa dizer nada pra não se arrepender, tem certos momentos na vida que o silêncio é melhor,..., peça pra que o dia não chegue pois vc me encontrou, esta noite vc vai ter que ser minha... nem que seja desta vez e nunca mais... só não quero deixar nada pra depois ..."
Não sinto tédio, lembro dos rádios tocando nas cozinhas, das fotonovelas com galãs italianos, dos parques de diversão na periferia, seus carrocéis e rodas gigantes, das músicas dedicadas pelo alto-falante,,, as músicas provocam meu riso solitário, meu canto divertido, me recordam minha origem (deslocada). Provocam o esquecimento do que preciso esquecer urgente...
Hoje é terça de carnaval, tenho que trabalhar e fico ouvindo Diana e Odair José...

fevereiro 01, 2009

Parábola dificil de escrever ...

Não é fácil escrever uma parábola. Há volta do filho pródigo, mas não há volta dos que não foram nem volta dos que nunca estiveram por lá...
Perguntei ao oráculo se devo prosseguir com o retorno ensaiado, ele disse primeiro que devo me desarmar, descer da montanha, contudo o movimento em direção a união deve ter as regras claras. As coisas em seu lugar, os nomes próprios das pessoas e cada qual no seu lugar próprio. Pois sem retidão no final pode ocorrer um desastre. ...
Meu coração diz que não, não, não, não há clareza suficiente; não é hora, e pode ser que o momento tenha sido perdido para sempre...

Nas relações humanas as categorias (algo como marcar lugar, posição) evitam sofrimento, confusão e desentendimento. Mas lugar e posição não são "algo" fixo, estabelecido, que não se possa mudar, conquistar, perder, abrir mão. Não é algo que se dê de mão beijada sei. Porém, se desde o ponto de partida as coisas estão confusas, no meio é que não vão se esclarecer...

Hexagrama 13 T'UNG JENA UNIÃO ENTRE OS HOMENS
Sentença: "A União entre os Homens, às claras, traz sucesso. É propício atravessar a grande água. O homem superior sabe que não pode relaxar sua retidão."
Comentário: "Alguma coisa suave tem poder de influência (linha fraca no lugar central) e responde à força criadora (linha forte e central do Criador). Isto quer dizer: 'A União entre os Homens, às claras, traz sucesso'. O trigrama indicando beleza e claridade é apoiado por aquele que representa a força: este é o trabalho do princípio criativo. A linha central do Criador simboliza o sábio. Só ele pode compreender e influenciar a vontade de todos os povos da Terra."
Imagem: "O Céu e o fogo juntos formam a União entre os Homens. De acordo com isso, o homem superior estrutura a sociedade e distingue as coisas conforme suas espécies e classes."

janeiro 08, 2009

Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos ...

Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo...
isto é carência.
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar... isto é saudade.
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos... isto é equilíbrio.
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida... isto é um princípio da natureza.
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... Isto é circunstância.

Solidão é muito mais do que isto.

Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma.

Francisco Buarque de Holanda